quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Carta de um professor ao inimigo público No 1 do paulista




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Viomundo, 1 de outubro de 2014



Carta de um professor ao inimigo público No 1 do paulista

 
 
Por Silvio Prado *




Governador, estou fazendo um árduo trabalho com a memória visando descobrir ou lembrar de alguma obra que o senhor tenha feito e, devido a importância dela, justifique sua atual candidatura ao governo de São Paulo.
Na área da educação, falando seriamente, não encontrei nada que justifique a continuidade de seu governo, mas sim motivos para enquadrá-lo como inimigo do ensino público e dos professores.
Na saúde, também está difícil. Basta dar uma entradinha em qualquer hospital que o senhor colocou nas mãos das Organizações Sociais para constatar o tamanho do horror!
Isso sem contar a sua tentativa de vender 25% das vagas do SUS para os grupos privados de saúde.
Na segurança pública, com sua polícia matando por atacado e com o crime organizado agindo dentro dos presídios como parceiros do Estado, nem que eu tenha um aparelho de ultrassom no lugar dos olhos descobrirei justificativas decentes para sua reeleição.
Também, sempre curioso, fui dar uma olhadinha no setor de transportes e nele, incrível, descobri um negócio chamado Trensalão. Quer dizer, um baita escândalo onde gente tucana surrupiou durante quase 20 anos mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos paulistas.
Pelo que vi, o Trensalão é o grande e vistoso primo rico do Mensalão e, por ser muito mais chique, envolve a partir dos governos tucanos (inclusive o seu), o Metrô de São Paulo com refinados bandidos de multinacionais como a Alston, Siemens, Bombardier etc.
Mesmo que durante um dia ensolarado, imitando um filósofo grego da Antiguidade, eu me aposse de uma lanterna e saia procurando motivos para reelegê-lo, será difícil encontrá-los. Portanto, governador Geraldo, me explique ou me dê motivos claros para sua reeleição.
Como posso votar num homem que foi peça fundamental no drama humanitário ocorrido com o massacre do Pinheirinho, em 22 de janeiro de 2012, onde oito mil seres humanos foram arrancados de suas casas, sob balas e bombas da polícia, jogados na rua e, no dia seguinte, horrorizados, viram tratores derrubando suas casas ainda repletas de moveis, roupas e todos os poucos bens materiais que sustentavam sofrivelmente a vida daquela gente tão pobre?
E as intervenções policiais na USP, para calar estudantes e trabalhadores que lutam tenazmente contra a depreciação e a privatização daquela universidade? Também tem o problema da Cracolândia, em São Paulo, onde o senhor, para sanar o problemas gerados pelo consumo do crack, insiste em usar remedinhos truculentos fabricados nos laboratórios da academia do Barro Branco.
Não vou citar aqui seu envolvimento com os fanáticos do Opus Dei, que certamente deve tê-lo influenciado em algumas medidas medievais de seu governo, como a de impor exames capazes de constatar a virgindade de funcionárias que deveriam ser contratadas na área do ensino.
Mesmo que um bando de anjos me rodeassem suplicando meu voto para sua reeleição, governador, não tenho como dizer sim. Como professor do estado, eu o tenho como algoz impiedoso da educação pública. Em seu governo, toda escola caminhou na direção da privatização e acabou virando uma sementeira de escândalos sem fim, principalmente em reformas de prédios ou em compras — sem licitação — de jornais e revistas que lhe dão tranquila blindagem na grande mídia.
Veja, governador, que na recusa em lhe dar o voto nem toquei no caso das imagens dignas de “Vidas Secas” que a sua incompetência criou na desadministração da SABESP, com o complexo Cantareira sem um pingo d’água, gente na grande São Paulo deixando de tomar banho, lavar roupas e louças, enquanto, na maior cara de pau, o senhor procura sair de fininho e tenta, com a colaboração da grande mídia, jogar toda a culpa em São Pedro.
Portanto, é impossível sair de casa no dia 5 de outubro para avalizar um governante que só não foi investigado e permanece no poder porque, na Assembléia Legislativa, mantém e sustenta um bando de deputados amigos, sempre dispostos a defender a chefia em troca de migalhas chamadas emendas parlamentares ou de cargos para parentes e amigos em escalões do governo.
Se os números das pesquisas forem verdadeiros, suas chances eleitorais permanecem grandes.
Porém, o que fazer se o eleitor paulista não consegue perceber o óbvio, ou seja, a sua ação destrutiva e a sequência de atos que não compactuam com a grandeza de um estado exemplarmente rico, mas, infelizmente, medíocre em termos políticos? E hoje, sem dúvida, sua figura pública é o que melhor exemplifica a mediocridade que emperra o desenvolvimento humano e social de São Paulo. Portanto, governador, meu voto não será seu, jamais!


*Silvio Prado é Professor da Rede de Ensino Estadual

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