terça-feira, 31 de julho de 2012

Polícia vai investigar racismo contra judoca Rafaela Silva no Twitter

http://odia.ig.com.br/portal/ataque/londres2012/pol%C3%ADcia-vai-investigar-racismo-contra-rafaela-silva-no-twitter-1.469911


O Dia.com, 31.07.2012
 

Polícia vai investigar racismo contra Rafaela Silva no Twitter


Inglaterra - O que começou como um bate-boca na internet ganhou proporções bem maiores na vida real. A polícia vai investigar um caso de preconceito contra a judoca Rafaela Silva na rede social Twitter, e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) emitiu nota de repúdio ao comentário de um internauta.
Rafaela Silva foi eliminada no judô dos Jogos Olímpicos na última segunda-feira, depois de um golpe ilegal. Depois, ainda em Londres, admitiu ter cometido um erro no lance que ocasionou a punição.

Foto: EFE
Rafaela foi desclassificada nesta segunda-feira | Foto: EFE

A reação da judoca no Twitter, porém, foi bem diferente. Intempestiva, Rafaela Silva reagiu e trocou ofensas com internautas que a criticaram pela eliminação em Londres 2012.
Depois, a judoca começou a replicar uma série de mensagens favoráveis a ela. Quando o clima já parecia mais ameno, um internauta identificado como “Urubu Palheta” disse a ela que “lugar de macaca é na jaula” e que “você não é melhor do que ninguém porque você é negra”. Além disso, afirmou que Rafaela sempre será “uma inútil”.
O ministro do Esporte, Aldo Rabelo, encaminhou o caso à Polícia Federal. A situação vai ser investigada, e o responsável pelotweet pode ser indiciado.
A investigação sobre o caso também é um clamor da própria Rafaela. Nesta terça-feira, ela foi defendida pelo COB em nota oficial.
Rafaela ainda usou novamente o Twitter para pedir desculpas pelas declarações de segunda-feira. Ainda assim, contudo, a CBJ (Confederção Brasileira de Judô) deve pedir aos atletas que tenham parcimônia no uso de redes sociais.

Ficção e espionagem no (des)governo FHC

Imagem inline 1
Jornal do Brasil, 31/07/2012



Ficção e espionagem


Por Mauro Santayana


Os serviços secretos só se justificam na defesa da integridade territorial e política das nações contra seus inimigos externos, sobretudo em tempo de guerra e em situações internacionais de grande instabilidade e perigo. A experiência histórica demonstra, no entanto, que a coleta de informações por esses agentes, mesmo nessas situações, é precária. Os relatórios dos mais importantes serviços do mundo, como os britânicos, norte-americanos e franceses, de acordo com as revelações conhecidas, demonstram que, em sua maior parte, as informações eram absolutamente falsas. No caso brasileiro, costumam ser ridículas as informações dos agentes da ditadura sobre algumas pessoas.

Os agentes precisam mostrar serviço, e, quando não há o que informar, valem-se da ficção, ou se baseiam em boatos, em denúncias absolutamente falsas, de desafetos dos monitorados. Qualquer pessoa que tenha acesso aos registros dos vários serviços secretos, aqui e em qualquer país do mundo, sobre si mesma, encontrará absurdos espantosos. E — o que é curioso — na maioria das vezes, esses serviços não conseguem registrar as atividades reais dos investigados contra os governos ditatoriais.

Segundo revelou o site Carta Maior, o serviço secreto da União monitorou, durante o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, as atividades dos intelectuais e políticos de esquerda que se opuseram à sua adesão ao Consenso de Washington, ao neoliberalismo e à globalização da economia. Na realidade, esses intelectuais, políticos nacionalistas, e militantes de esquerda, se opunham, de maneira clara, transparente, nunca clandestina, à entrega dos ativos públicos, representados pelas empresas estatais, e à desnacionalização da economia e do sistema financeiro, em benefício dos capitalistas estrangeiros.

Foi uma luta de peito aberto, dentro das regras democráticas, mediante documentos públicos, entre eles vários manifestos, como o assinado por personalidades respeitáveis da República, contra a privatização da Vale do Rio Doce, que tive o privilégio e a honra de redigir em Juiz de Fora, no escritório do honrado presidente Itamar Franco.

Como muitos outros homens que transitaram pela esquerda na juventude, o ex-presidente se converteu, com a mente e o coração, à direita. De formação, e profissão acadêmica, fascinou-se pela inteligência técnica dos jovens economistas que o cercaram no Ministério da Fazenda, e genuflectiu diante de Wall Street. Ele agiu como um arrependido de seus ideais antigos, e saudou o neoliberalismo como uma nova era na História. Mas não foram poucos os que se aproveitaram de sua guinada a fim de se enriquecer com o processo. E há gestos seus que ainda incomodam a muitos de nós — como as suas relações muito próximas com alguns banqueiros e sua visível preferência por alguns consórcios licitantes, como no caso do Banco Opportunity.

Descobrimos agora que os serviços secretos não foram devidamente usados durante os oito anos dos tucanos paulistas na direção da República. Em lugar de seguir e monitorar os agentes estrangeiros que agiam em nosso país, sob o pretexto de combater o tráfico de drogas, e de acompanhar as atividades de autoridades brasileiras que colocavam em risco os interesses permanentes da nação, os arapongas investigavam os patriotas brasileiros que defendiam o nosso desenvolvimento autônomo. Nada de espantar: a ditadura aprimorou o incipiente serviço secreto e o transformou no poderoso SNI para se alinhar aos norte-americanos na luta contra os comunistas, dentro do maniqueísmo da Guerra Fria. Como não há mais comunismo a combater, foi preciso encontrar outra causa, a causa dos novos liberais.

Teriam feito melhor se houvessem investigado como foi o enriquecimento rápido e tranquilo de alguns daqueles que participaram do processo de privatização. Teriam feito melhor se houvessem acompanhado a evasão de recursos mal havidos, como os bilhões que atravessavam a fronteira do Paraguai, em caminhões fechados e autorizados, por portaria do Banco Central, para o ir e vir, sem a devida fiscalização da Receita Federal, em uma evasão calculada em 80 bilhões de dólares. Teriam, se assim agissem, justificado seus vencimentos, suas diárias, seus privilégios funcionais, na defesa dos interesses permanentes do nosso povo. Atuando, como atuaram, sob a ordem direta, ou não, do presidente da República, eles se aliaram aos inimigos de nosso povo, que hoje estão sendo internacionalmente desmascarados, com a revelação de que a maior quadrilha de gângsteres da História se encontra no conglomerado de Wall Street.

Atuação desastrada de Andressa Mendonça eleva prejuízo de Cachoeira e da Óia

Imagem inline 1
 


 

Atuação desastrada de Andressa Mendonça eleva prejuízo de Cachoeira e da revista Veja



31/7/2012 13:28, Por Redação - de Brasília e São Paulo 


Andressa Mendonça Depois da tentativa de suborno feita por Andressa Mendonça, o jornalista Policarpo Júnior deverá ser convocado a depor na CPMI do Cachoeira


A incursão da socialite Andressa Mendonça ao gabinete do juiz da 11ª Vara Federal de Goiânia, Alderico Rocha Santos, além dos R$ 100 mil em dinheiro que precisará depositar nas próximas horas, custou também o pedido de demissão do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. O escritório de Thomaz Bastos anunciou, nesta terça-feira, que ele deixa oficialmente a defesa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A saída foi protocolada junto ao processo, no início desta tarde.
Para Thomaz Bastos, a detenção de Andressa Mendonça, ex-mulher do senador Wilder Morais (DEM-GO) e atual mulher de Cachoeira – após a tentativa de chantagem ao juiz Rocha Santos – foi a “gota d’água” em uma situação crítica que durava algumas semanas. Em uma das visitas ao réu, uma advogada do escritório de Thomaz Bastos, Dora Cavalcanti, foi agredida verbalmente por Cachoeira. Segundo advogados da equipe, não há previsão de ressarcimento ao cliente de parte dos R$ 15 milhões cobrados pelo patrocínio à causa do contraventor. Se houvesse, este seria um problema a menos para Andressa Mendonça que, além de encontrar dificuldades para reunir os recursos necessários ao pagamento da fiança, em juízo, poderá ser presa e sofrer um processo que resultaria na perda da guarda dos dois filhos, de 4 e 6 anos, que teve no casamento com o empreiteiro Wilder Morais, substituto do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) no cargo.
Veja no prejuízo
Mas o maior prejuízo na tentativa de corrupção ao magistrado goiano ficou mesmo com a Editora Abril, que publica a revista semanal de ultradireita Veja. Em nota oficial, o juiz Rocha Santos afirma que a mulher de Cachoeira teria lhe oferecido a chance de não ver seu nome exposto em uma matéria na publicação, que estaria de posse de uma espécie de dossiê contra ele e outras pessoas de seu convívio.
Ela (Andressa) me procurou, no meu gabinete, e disse ter em seu poder um dossiê, preparado por jornalista de uma publicação de repercussão nacional. Ela disse, ainda, que se decidisse pela liberdade do Carlinhos Cachoeira, esse dossiê não seria publicado – disse o juiz a assessores de seu gabinete. Esta série de “informações desfavoráveis” ao juiz Rocha Santos seria publicado pelo repórter Policarpo Júnior, na revista Veja, segundo teria afirmado o juiz. “Foi com essa informação que ela pediu a audiência e entrou na sala do juiz, na semana passada. Outro juiz federal, Wilson Dias, também foi apontado por ela como alvo do dossiê”, afirma nota da PF.
Para evitar a publicação da matéria, Andressa Mendonça teria garantido ao magistrado que poderia segurar a publicação, mas para isso ele precisaria conceder “liberdade ao réu Carlos Augusto de Almeida Ramos” e o absolver “das acusações ofertadas pelo Ministério Público Federal (MPF)”, diz o texto da representação do MPF. Esse tipo de chantagem, segundo denúncia na Justiça, é uma prática corriqueira do contraventor, em conluio com a revista. Cachoeira responde a processo criminal na Justiça Federal, acusado de comandar um esquema de jogos ilegais e de corrupção de agentes públicos que envolveria a participação do jornalista Policarpo Júnior. Em nota distribuída na manhã desta terça-feira, a Editora Abril afirma que a “direção da Veja afirmou que seu Departamento Jurídico está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos.”

Na CPMI
A resposta da organização jornalística controlada por Roberto Civita, no entanto, foi insuficiente para evitar o pedido de convocação do diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, o jornalista Policarpo Junior. Uma vez aprovada em plenário da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os crimes cometidos pela organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira.
– Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. A convocação constará na pauta da primeira reunião da CPMI – afirmou o vice-presidente da Comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
O parlamentar também ampara seu pedido de convocação do jornalista Policarpo Júnior para depor na CPMI nos grampos legais produzidos pela Operação Monte Carlo. Em um deles, o bicheiro se vangloria de ter produzido todos os furos de reportagem publicados pelo jornalista. Isso inclui, por exemplo, o vídeo em que Maurício Marinho aparece recebendo uma propina de R$ 3 mil nos Correios – na origem do processo conhecido como ‘mensalão’. Em outra conversa gravada, Cachoeira e Policarpo falam diretamente sobre como uma reportagem de Veja poderia levar à queda do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Em um terceiro grampo, a PF também identifica a presença de Veja em uma perseguição do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em um hotel de Brasília.
Na CPMI, o relator Odair Cunha já havia recebido uma demanda para que Júnior fosse convocado a depor, mas não colocou em votação os requerimentos. Segundo parlamentares, há uma pressão muito grande por parte dos grupos Abril, Folha e Globo para que a CPMI do caso Cachoeira não se transforme em uma investigação mais ampla, sobre a atuação da mídia conservadora no emaranhado de crimes cometidos pela organização de Cachoeira e afins, agora com a participação até da mulher, Andressa Mendonça.

domingo, 29 de julho de 2012

O mensalão e o photoshop de um tempo histórico

Imagem inline 1
 
 

O mensalão e o photoshop de um tempo histórico


Por Saul Leblon


Quando Serra ataca blogs críticos, classificando-os de 'sujos', ou se refere ao PT como um partido que usa métodos nazistas, e Veja faz do photoshop seu principal argumento 'jornalístico' na demonização de lideranças adversárias - como na capa da edição desta semana, com o ex-ministro José Dirceu - , o objetivo é infantilizar o discernimento da sociedade, quebrar seu senso crítico para inocular valores e legitimar interesses que de outro modo figurariam como controversos, ou mesmo intragáveis, no imaginário social.

A infantilização da política é a tradução 'popularesca' da judicialização, o recurso extremo de um tempo em que projetos e referências históricas do conservadorismo foram tragados pela conflagração entre os seus interesses e as urgências da sociedade humana - entre elas a urgência ambiental e a urgência, a ela associada, de se convergir para formas mais sustentáveis de produção e repartição da riqueza.

Órfãos da crise do Estado mínimo, açoitados diariamente pelo noticiário econômico, soterrados nos escombros das finanças desreguladas - aqui e alhures - que argumento lhes resta, além do photoshop dos fatos na tentativa, algo derrisória, de ainda vender peixe podre como iguaria inexcedível?

Nos EUA, a extrema direita e seus veículos, a exemplo das respectivas versões tupiniquins, usaram e abusaram do photoshop para implantar chifres demoníacos no perfil essencialmente cool de Obama, ademais de classificá-lo, ora de comunista, ora de nazista, com direito ao bigodinho do Führer. A extrema direita e a direita norte-americana não podem permitir a dissecação política do colapso financeiro - fruto de sua costela - em outro ambiente que não o photosop e a barragem judicial às medidas requeridas pela desordem reinante.

Semi-informação, assim como a semi-cultura do bueiro televisivo, formam o lubificante da infantilização e da impenetrável judicialização da política. O episódio chamado de 'mensalão' cumpre o papel de prato de resistência dessa ração tóxica servida à opinião pública nacional. O tema efetivo do julgamento que se inicia esta semana no STF argüi os alicerces do sistema político brasileiro. O nebuloso financiamento privado das campanhas eleitorais, indissociável da rejeição conservadora ao financiamento público, é a contraparte de um interdito mais amplo à presença do Estado - leia-se, do interesse público - em todas as esferas da vida social e econômica.

A direita nativa - e seu dispositivo midiático - sabe que o cerne da questão refere-se à prática do caixa 2 de campanha, uma degeneração intrínseca à entrega de um bem público, a eleição, à lógica de mercado. O jogo do toma-lá-dá-cá instaurado a partir da indução à busca de recursos privados não poupa direita ou esquerda. Todos os partidos foram e são reféns desse moedor que abastarda projetos e rebaixa a soberania democrática.

O PSDB de Serra, por sinal, desfruta o cume do pódium como pioneiro e virtuose, com o comprovado engate do valerioduto mineiro ao caixa 2 da fracassada tentativa de reeleição do ex-presidente do partido, Eduardo Azeredo, em 1998. Romper esse dínamo implica, na verdade, alargar as fronteiras da democracia, libertando-a não apenas do dinheiro privado, mas também dos limites exauridos do sistema representativo, revitalizando-o com a ampliação de mecanismos de consultas e referendos mais regulares e adequados às demandas de participação da cidadania.

O photoshop da Veja responde a esse divisor histórico desenhando chifrezinhos colegiais em Chávez, por exemplo. Ao reduzir a crise da economia e da sociedade a um tanquinho de areia, a direita brasileira quer garantir o seu recreio nas próximas semanas, fantasiando a hora do lanche à sua conveniência, com a esperada ajuda de alguns bedéis togados. Pode ser que atinja seu objetivo.Mas o fará no efêmero espaço do faz de conta judicial em que pretende circunscrever a história. O mundo real, que o photoshop tenta desesperadamente congelar, esse já ruiu.
 
 
 
O julgamento de agosto
 
 
Por Mauro Santayana


O mundo não acabará neste agosto, nem o Brasil entrará em crise, qualquer que venha a ser o resultado do julgamento a que se dedicará o STF no mês que se inicia quarta-feira. Tampouco se esperam grandes surpresas. Ainda que mantenham a necessária discrição – e se registre, que neste caso, não conhecemos ainda manifestações intempestivas de alguns julgadores – é plausível supor que os magistrados já estejam com seu veredicto em mente. O relatório é deles conhecido, e o texto do revisor foi distribuído, houve bastante tempo, até mesmo para redigir os votos. O que vai ocorrer, nas demoradas sessões do julgamento, é o necessário rito, para que se cumpra o devido processo legal. Apesar disso, não é de se desprezar a hipótese de que surjam novas provas e contraprovas, em benefício, ou desfavor, dos réus.

A importância maior desse julgamento está nas reflexões políticas e jurídicas que ele provocará. Admitamos, como é provável, que os argumentos maiores da defesa – de que se tratava de um financiamento, a posteriori de campanha eleitoral – venham a ser admitidos pela alta corte, o que reduziria bastante a punição dos responsáveis. O sistema eleitoral nas democracias modernas – e não só no Brasil, mas no mundo inteiro – é deformado pela influência notória do poder econômico. Há um mercado do voto, como há um mercado da fé, e um mercado da informação. Uma campanha eleitoral é empreendimento complexo, que exige a presença de ideólogos e profissionais de propaganda; de ativistas pagos; de impressos e da produção de programas de rádio e televisão; de logística de transporte e de distribuição de recursos e de pessoal. Em resumo: é preciso dinheiro, e muito dinheiro.

Esse é um dos paradoxos da democracia moderna: sem dinheiro, não há o exercício do voto; com ele, e no volume exigido, a legitimidade do sufrágio é posta em dúvida. Esse é um dos argumentos de filosofia política contra o sistema capitalista, em que o poder do Estado é visto como um bem de mercado, que pode ser ocupado pelos que pagam mais. E não só os indivíduos os que adquirem esse poder: mais do que eles são os grupos de interesse comum, como os banqueiros, os grandes proprietários rurais, as confissões religiosas, as poderosas corporações econômicas, nacionais e multinacionais. Isso, quando não há a interferência direta de governos estrangeiros, como sempre ocorre e ocorreu despudoradamente com a ação do IBAD, nas eleições de 1960 e 1962.

Sempre houve o financiamento privado das campanhas, mas, nesse problema, como em todos os outros, funcionam as leis dialéticas: a quantidade altera a qualidade. No passado, a maior parte dos políticos se valia dos recursos privados de terceiros com alguma discrição, e, alguns com constrangimento e pudor. É certo que desonestos sempre houve, corruptos nunca faltaram, desde o governo de Tomé de Sousa até os tempos recentes. Mas, com notável diferença, os candidatos, em sua imensa maioria, quase nunca usavam dinheiro de campanha para seu proveito pessoal.

Em muitos casos, feita a contabilidade final do pleito, destinavam as poucas sobras a instituições de caridade, e, em caso contrário, arcavam com os saldos a pagar, sacrificando os bens de família. Hoje, como frequentemente se denuncia, uma campanha eleitoral pode ser um meio de enriquecimento, como qualquer outro. Essa situação perverte todos os setores do Estado, com o superfaturamento das obras públicas, a corrupção de servidores de todos os escalões. Os cidadãos, no entanto, já demonstram sua reação contra essa perversão da vida social, como revelam movimentos vitoriosos, entre eles a iniciativa da Lei da Ficha Limpa.

A inteligência política é convocada a encontrar sistema de financiamento público de campanha, de forma justa e democrática, a fim de que todos os candidatos tenham a mesma oportunidade de dizer o que pretendem e pedir o voto dos cidadãos. Não é fácil impedir a distorção do processo eleitoral, mas é preciso construir legislação que reduza, se não for possível elimina-la, a influência do poder econômico no processo político.

Estamos em um mundo que se encasula no desencanto e na angústia com relação ao futuro. Há, porém, uma promessa de justiça, na articulação de movimentos de protesto, no mundo inteiro, contra a ditadura mundial do sistema financeiro que, de acordo com a confissão de alguns culpados, se tornou uma quadrilha mundial de gangsters, ou de “banksters”.

Esse termo preciso foi criado para identificar os banqueiros responsáveis pela Depressão dos anos 30, e está sendo reutilizado agora. Não podemos esmorecer na reação dos oprimidos contra essa nova tentativa de ditadura mundial.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

Gilmar Mendes está na mesma posição que a maioria dos réus do mensalão

 
Publicado em 29/07/2012
 

Gilmar vai julgar, Ministro Ayres Britto ?


A denúncia de Mauricio Dias e Leandro Fortes na Carta Capital, cria um problema para o Presidente Ayres Britto.

Nada que mereça a dúvida hamletiana.

Uma questão que o bom senso e o sentido de Justiça resolvem sem vacilação.

A questão trivial é: como iniciar o julgamento do mensalão com um juiz “mensalado”?

O julgamento do mensalão já estava comprometido pela prevaricação de Gilmar: ter sido chantageado e não denunciar o chantageador à Polícia.
Agora, está posta sobre a mesa uma questão que tem a ver com a própria legitimidade do Tribunal.

Um dentre vós mensalou. Este julgamento já estava cercado de nuvens.

A começar pela submissão do Tribunal à escancarada merval pressão para o Ministro Peluso ter tempo de votar (contra o Dirceu).

Embora este ansioso blogueiro duvide que Peluso condene Dirceu sem provas: os mervais passam e a biografia fica.

O Tribunal de Contas da União, que serve para empacar o PAC, não servirá para desmontar a acusação central do brindeiro Gurgel – a de que houve dinheiro público na operação ?

E a legitimidade do próprio acusador ?

Como pode o Tribunal Supremo ouvir calado as acusações de um juiz acusado de prevaricar por um senador da República e, ele próprio acusador submetido ao julgamento da Corregedoria do Ministério Público ?

Com que autoridade moral pode o Procurador da sociedade dizer qualquer coisa em defesa da sociedade, se ela própria nele não confia, se ele próprio está em julgamento ?
Mas, vamos relevar tudo isso em nome do “bom mocismo”, do “homem cordial” que vive em cada um de nós, dentro da mesma “sopa” que nos congrega e na amortece, como diz o Mino Carta.

Uma sopa. Um pirão.

Mesmo assim, como ficam os juízes que se reúnem a um colega que “manda subir; que recebe R$ 180 mil do Eduardo Azeredo, que foi enviado ao Supremo por Fernando Henrique Cardoso , aquele que, na companhia do filho, recebeu uma “mensalada” de R$ 500 mil, com a expressa recomendação do Azeredo e do Pimenta da Veiga ?

Como fica, Presidente Ayres Britto, o seu maculado Tribunal ?

Que Tribunal vai julgar o mensalão, se recebe mensalada ?
Que tribunal vai julgar logo em seguida o mensalão tucano ?

E dar legitimidade à Operação Satiagraha ?

Quem julgará tudo isso ? Se está atolado nesse pirão ?

O que dirão a turba e o Zé Mané da esquina desse Egregio Tribunal ?

Gilmar Dantas não pode estar sentado à mesa em que o senhor está, Ministro Ayres Britto.

O que marcará a sua Presidência não será o julgamento dos mensalões ou a recuperação da Satiagraha.

Mas o destino que dará à inglória carreira de Gilmar Dantas, a mais nefasta das heranças de Fernando Henrique.


Paulo Henrique Amorim

.....

 
 

Avaliação de papéis que provam ligação Valério-Azeredo


 
Por Jotavê


A revista Carta Capital disponibilizou ontem à noite os documentos que embasaram a reportagem de Leandro Fortes. Com eles em mãos, já é possível fazermos uma avaliação mais sóbria.
Marcos Valério, através de seu advogado, alega que a lista é falsa. É possível que seja, mas não é provável. O motivo é simples. Os valores que constam nos recibos correspondem, na quase totalidade dos casos, aos valores constantes das listas. Mais ainda. Quando há DIVERGÊNCIA entre os valores da lista e os constantes nos recibos, essa divergência obedece a um padrão uniforme que, como veremos, REFORÇA a hipótese de a lista ser autêntica.
Vamos, antes de passar à análise dos dados, entender o material que a revista tem em mãos. Trata-se, por um lado, de um volume encadernado com o registro de doações recebidas pelo PSDB mineiro em 1998 e dos valores pagos pelas agências de Marcos Valério. Desse volume constam tanto os pagamentos contabilizados quanto os feitos por baixo do pano. A evidência disto é a discrepância entre os valores declarados pelo PSDB e os valores constantes do documento. Os pagamentos totais constantes da contabilidade secreta de Marcos Valério somam mais de 100 milhões de reais.
Além desse volume encadernado, há uma série de comprovantes de depósito ou de transferência bancária feitos (todos) pela agência SMP&B de Marcos Valério em nome de pessoas e empresas listadas (todas) no volume encadernado. Há comprovantes de todos os pagamentos? Não, não há. Não esperem encontrar um recibo com o depósito na conta de Gilmar Mendes, por exemplo, ou de Aécio Neves, até porque, se esses pagamentos aconteceram de fato (e já não tenho motivos para duvidar de que isso tenha acontecido, diante dos documentos apresentados), certamente foram feitos em espécie.

Se comparamos os recibos com os pagamentos declarados na lista, a concordância é quase total. Eis aqui a lista dos recibos que correspondem exatamente aos valores discriminados na lista. Listei-os por ordem decrescente de valor para fazer uma observação importante a seguir:

Maria Cristina Cardoso de Mello 175.000,00
Maurílio Borges Bernardes 125.000,00
Fábio Valença 91.457,28
Jaldo Retes Dolabela 53.025,00
Afonso Celso Dias 50.000,00
Luiz Flávio Vilela Mesquita 50.000,00
Nei Martins Junqueira 50.000,00
Vagner Nascimento Junior 30.000,00
Antônio Marum 25.000,00
Cláudio Pereira 25.000,00
Ermino Batista Filho 25.000,00
Gilberto Rodrigues de Oliveira 25.000,00
Gilberto Wagner/
Mario Luis P. Pereira 25.000,00
Márcio Luiz Murta 25.000,00
Baldomedo Artur Napoleão 23.000,00
Edson Brauner da Silva 20.000,00
Honório José Franco 20.000,00
Ivone de Oliveira Loureiro 20.000,00
Maria Ângela Arcanjo 20.000,00
Marlene Arlanda Caldeira 20.000,00
Martins Adélio Gomes 20.000,00
Olavo Bilac Pinto Neto 20.000,00
Ricardo Desotti Costa 20.000,00
Rosane Aparecida Moreira 20.000,00
Wilfrido Albuquerque Oliveira 20.000,00
Ajalmar José da Silva 15.000,00
Arnaldo Francisco Penha 15.000,00
Clemente Sarmento Petroni 15.000,00
Francisco Ramalho 15.000,00
João Manoel Rathsam 15.000,00
Maria Olívia de Castro Oliveira 15.000,00
Maurício Antônio Figueiredo 15.000,00
Obed Alves Guimarães 15.000,00
Odair Ribeiro Vidal 15.000,00
Sonia Maria Salles Campos 15.000,00
Eder Antônio Madeira 12.000,00
Geruza Pereira Cardoso 12.000,00
Naylor Andrade Vilela 12.000,00
Maria Eustáquia de Castro 11.000,00
Aldimar Dima Rodrigues 10.000,00
Alencar Magalhães da Silveira Jr. 10.000,00
Grupo Hum Prop./Marketing 10.000,00
Marcelo Jerônimo Gonçalves 10.000,00
Rui Resende 10.000,00
Tarcísio Henriques 10.000,00
Vilda Maria Bittencourt 10.000,00
José Augusto Ribeiro 9.000,00
Antônio de Pádua Luma Sampaio 8.000,00
Silvana Vieira Felipe 8.000,00
Cláudio de Faria Maciel 7.000,00
Heloísa Helena Barras Escomini 5.000,00
Nelson Antônio Prata 5.000,00
José Roberto del Calle 4.000,00
Maria Aparecida Vieira 2.500,00
Maria da Conceição Almeida Alves 2.500,00
Antônio Milton Sales 2.000,00


Reparem que, se excetuarmos os quatro primeiros pagamentos, todos os outros têm valores iguais ou menores a 50 mil reais. Ou seja, nos casos em que os valores constantes na contabilidade de Marcos Valério COINCIDEM com os depósitos feitos em conta corrente, os valores são relativamente baixos. Como veremos a seguir, existem abundantes evidências de que valores maiores que 50 mil foram divididos em vários depósitos. Quem estava recebendo não queria acender sinais de alerta no Banco Central e na Receita Federal. Mesmo nos quatro primeiros casos, reparem que o terceiro e o quarto referem-se a pagamentos de mercadorias ou serviços. Têm valores exatos, até a casa dos centavos, e muito provavelmente foram feitos de forma regular, com nota fiscal e tudo.

Agora, os casos em que os valores depositados não batem com os valores declarados. Pus entre parênteses os valores que constam da contabilidade:


Alfeu Queiroga de Aguiar dois depósitos de R$25.000,00
(R$133.222,00)
Amilcar Viana Martins Filho R$6.000,00
(R$255.500,00 + R$211.726,40 (referente a multa))
Cantídio Cota de Figueiredo R$40.000,00
(R$53.000,00)
Carlos Welth Pimenta Figueiredo R$12.000,00
(R$59.000,00)
Custodio de Mattos R$20.000,00
(R$120.000,00)
Elmo Braz Soares R$6.000,00
(R$120.000,00)
Geraldo Magela Costa R$40.000,00
(R$ 5.000,00 - único caso de valor menor)
Humberto Candeias Cavalcanti R$3.000,00
(R$53.000,00)
João Batista de Oliveira R$7.000,00
(R$35.000,00)
José Pinto Resende Filho R$7.500,00 + R$15.000,00
(R$22.500,00 - fica claro o parcelamento)
Kemil Said Jumaira R$9.000,00
(R$59.000,00)
Luciano Claret Gonçalves R$15.000,00 + R$30.000,00
(R$45.000,00 - fica claro o parcelamento)
Paulo Abi Ackel R$50.000,00
(R$100.000,00)
Olinto Dias Godinho R$20.000,00
(R$120.000,00)
Romeo Anisio Jorge R$100.000,00
(R$200.000,00)
Sebastião Navarro Vieira R$9.000,00
(R$40.000,00)
Wanderley Geraldo de Ávila R$21.000,00
(R$43.900,00)

Como se vê, os poucos valores DISCORDANTES que temos entre recibos e contabilidade da SMP&B não afetam a credibilidade do documento. Pelo contrário, a reforçam. Em todos os casos, temos valores altos que foram pulverizados em diversos depósitos, para driblar o Banco Central e o fisco. Em dois casos (José Pinto Resende Filho e Luciano Claret Gonçalves), temos o retrato completo da operação toda de pulverização, com a soma dos recibos batendo exatamente com o valor declarado na contabilidade de Marcos Valério.
Agora, a pergunta principal. É possível que esta lista tenha sido falsificada? É possível, mas não é provável. A única possibilidade que consigo imaginar é a de alguém pegando a lista original e ACRESCENTANDO nomes que não estavam nela. Marcos Valério diz que o documento é falso. O cartório em que ele tem firma diz que a assinatura é dele. É preciso fazer uma perícia e verificar a autenticidade dessa assinatura. Se for dele, o Ministro Gilmar Mendes está exatamente na mesma posição que a maioria dos réus do mensalão. Recebeu dinheiro não contabilizado de campanha (sabendo disso ou não), e ainda por cima mentiu ao dizer, agora, que não recebeu coisa nenhuma. Por aquilo que sabemos até aqui, essa lista tem tudo para ser autêntica, e é um crime que a mesmíssima imprensa que deu publicidade ao grampo sem áudio envolvendo Demóstenes Torres, Gilmar Mendes e Policarpo Jr. não se preocupe em pelo menos investigar a fundo os dados fornecidos na reportagem da revista Carta Capital.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes e FHC

 
 

Exclusivo

 

27.07.2012 
 

O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes

 

O ministro do STF na lista dos beneficiários do esquema


CartaCapital publica na edição que chega às bancas em São Paulo nesta sexta-feira 27 uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo em 1998. O esquema foi operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista, registrada em cartório. O agora ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes aparece entre os beneficiários. Mendes teria recebido 185 mil reais.
Há ainda governadores, deputados e senadores na lista. Entre os doadores, empresas públicas e prefeituras proibidas de fazer doações de campanha. O banqueiro Daniel Dantas também aparece como repassador de dinheiro ao caixa 2.
A documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”, pois a modelo participava do esquema e era escalada para transportar malas de dinheiro. Na lista, Cristiana aparece como destinatária de 1,8 milhão de reais.

Imagem inline 1
 


 

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no ‘valerioduto tucano’


27/7/2012 13:21, Por Redação - de São Paulo e Brasília 


Mendes Tanto FHC quanto o ministro Gilmar Mendes constam de documentação anexada a processo contra Marcos Valério

Documentos reveladores e inéditos sobre a contabilidade do chamado ‘valerioduto tucano‘, que ocorreu durante a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, constam de matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes, na edição dessa semana da revista Carta Capital. A reportagem mostra que receberam volumosas quantias do esquema, supostamente ilegal, personalidades do mundo político e do judiciário, além de empresas de comunicação, como a Editora Abril, que edita a revista Veja.
Estão na lista o ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os ex-senadores Artur Virgílio (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (DEM-SC), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Agripino Maia (DEM-RN), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e os ex-governadores Joaquim Roriz (PMDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), ambos do Distrito Federal, entre outros. Também aparecem figuras de ponta do processo de privatização dos anos FHC, como Elena Landau, Luiz Carlos Mendonça de Barros e José Pimenta da Veiga.
Os documentos, com declarações, planilhas de pagamento e recibos comprobatórios, foram entregues na véspera à Superintendência da Polícia Federal, em Minas Gerais. Estão todos com assinatura reconhecida em cartório do empresário Marcos Valério de Souza – que anos mais tarde apareceria como operador de esquema parecido envolvendo o PT, o suposto “mensalão”, que começa a ser julgado pelo STF no próximo dia 2. A papelada chegou às mãos da PF através do criminalista Dino Miraglia Filho – advogado da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que seria ligada ao esquema e foi assassinada em um flat de Belo Horizonte em agosto de 2000.
Segundo a revista, Fernando Henrique Cardoso, em parceria com o filho Paulo Henrique Cardoso, teria recebido R$ 573 mil do esquema. A editora Abril, quase R$ 50 mil e Gilmar Mendes, R$ 185 mil.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Coca-Cola será expulsa da Bolívia



 

Coca-Cola será expulsa da Bolívia por Evo Morales no solstício de verão


26/7/2012 13:44, Por Redação, com agências internacionais - de La Paz 


Coca-Cola A Coca-Cola está com seus dias contados na Bolívia


Em uma decisão de causar espanto na mídia capitalista, o governo socialista do presidente Evo Morales acaba de expulsar a Coca-Cola da Bolívia. A decisão precisará ser cumprida até o dia 21 de Dezembro deste ano. Segundo o ministro do Exterior boliviano, David Choquehuanca, esta determinação está “em sintonia com o fim do calendário Maia” e será parte dos festejos para celebrar o fim do capitalismo e o início de “uma cultura da vida”. A festa ocorrerá no fim do dia, no solstício de verão (no Hemisfério Sul), na Ilha do Sol, situada no Lago Titicaca.
– O dia 21 de Dezembro de 2012 marca o fim do egoísmo, da divisão. O 21 de Dezembro tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche (refresco de durazno, um refrigerante muito popular no país). Os planetas se alinham após 26 mil anos. É o fim do capitalismo e o início do comunitarismo – disse Choquehuanca, em um ato ao qual compareceu o presidente do país.
A medida, que atrai os holofotes da mídia para o governo boliviano, reforça a determinação de Evo Morales no reforço a um Estado socialista. Ele tem recebido várias críticas de seus eleitores por agir “devagar demais”, segundo as críticas, em determinar o fim do capitalismo naquela nação andina. A medida também visa melhorar a saúde da população. A Coca-Cola, assim com a maioria dos refrigerantes industrializados, contem substâncias comprovadamente nocivas ao corpo e cujo consumo constante se associa a infartos cardíacos e derrames cerebrais.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A truculência reiterada de Zé Bolinha-de-Papel

Imagem inline 1
 


25 de Julho de 2012

Luis Nassif: A truculência reiterada de Serra

 
Aqui vai um apanhado da truculência de José Serra, a partir da contribuição dos leitores do Blog.

1. Inspirado por José Serra, o diretório nacional do PSDB entrou com representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questionando a publicidade da Caixa Econômica Federal (CEF) no Blog Luís Nassif Online.
2. Recentemente, a Burson Mursteller considerou o Blog um dos 4 jornalísticos mais influentes do Twitter e o único independente.

3. O Blog tem conteúdo analitico e informativo. Grande parte do conteúdo é constituído de clipping de jornais, sugeridos pelos leitores.

4. No dia em que foi noticiada a representação, a análise dos últimos 300 posts do Blog revelavam o seguinte: 8 apenas foram sobre o mensalão, todos decorrência da decisão recente do TCU (Tribunal de Contas da União) de considerar regulares as contas do BB no período Pizolatto; cinco deles, reprodução de matérias de jornais; duas deles, de leitores analisando o papel dos ministros do TCU; outros dois, minimizando o relatório do TCU: um, a nota do próprio TCU, outra, matéria do Globo informando que o Procurador Geral da República não se deixaria influenciar pela decisão do TCU. Em relação às eleições, 11 posts, dentre os últimos 300: desses, 6 de jornalões e portais; um de site de esquerda; dois do blog, sobre a tropa de choque de Serra e sobre a foto ridícula dele no skate; dentre os 11, um do Globo com Serra acusando os blogs.

5. O que Serra pretende é calar qualquer voz crítica em relação a ele, como usualmente faz com jornalistas da própria velha mídia.

6. No mesmo dia, era possível identificar publicidade da mesma CEF e de outras estatais em blogs claramente militantes pró-Serra, como os da Veja.


Quanto a Serra, um apanhado de como atua em relação aos críticos:
1. Por pressão de Serra, a TV Cultura não renovou meu contrato em 2008 devido a comentários no meu blog sobre os maus resultados da Sabesp. Na época critiquei os gastos da Sabesp com uma campanha publicitária veiculada em todo o país, incompatível para uma empresa de saneamento estadual. A não renovação do contrato foi cumprida por Paulo Markun e Gabriel Priolli.

2. O apresentador Heródoto Barbeiro foi afastado da TV Cultura por ter feito uma pergunta sobre pedágio a Serra, durante um Roda Viva. No programa, Serra mente, diz que o pedágio da Ayrton Senna baixou pela metade. Não explicou que a cobrança, que antes era em apenas uma direção, passou a ser nas duas.

3. Depois de ter siodo instrumento de Serra para meu afastamento, o próprio chefe de jornalismo Gabriel Priolli foi afastado por ter feito uma pauta sobre pedágio.

4. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - a quem Serra deve sua carreira - foi duramente atacado pelo historiador Marco Antonio Villa (praticamente único intelectual militante que ainda se alinha com Serra) dias depois de ter declarado que o candidato do PSDB à presidência, em 2014, seria Aécio Neves. Clique aqui.

5. Em fins de 2009, publiquei um artigo sobre o estilo de administrar de Serra, mostrando sua total inapetência para gestão. O Secretário de Comunicação Social procurou jornais do interior paulista - que republicam a coluna - ameaçando com cortes de verbas.

6. Minha irmã Maria Inês Nassif foi alvo de uma pressão pesada da Secretaria de Comunicação Social do governo Serra - a mando do próprio governador - por ter se pronunciado, em coluna no Valor Econômico, contra o instituto da delação na lei antifumo. Dias e dias de pressão até que o Valor aceitou publicar artigo do Secretário de Justiça acusando-a de fazer lobby da indústria do cigarro.

7. A jornalista Márcia Peltier foi destratada por Serra, com palavras duras, por ter feito perguntas julgadas impertinentes pelo candidato.

8. Destrata ao vivo repórter da rádio Capital que perguntou sobre as novas pesquisas políticas em 2010.

9. Esse mesmo comportamento se observou em entrevista concedida por ele à rede RBS, no Rio Grande do Sul.

10. A resposta ríspida à repórter da TV Brasil que perguntou sobre problemas de água em São Paulo.

11. O portal Brasilianas não faz militância politica: trata de política públicas. A Sala de Gestão, que está para ser lançada, contém parcerias já firmadas, entre outros, com os governos de Minas Gerais e Pernambuco, através de seus governadores Antonio Anastasia (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), o que demonstra o pluralismo do projeto.

12. Desde que os métodos de Serra se tornaram conhecidos, tornei-me um crítico acerbo de seu estilo de gestão e de fazer política. Até por débito com a opinião pública, por ter acreditado em Serra anteriormente. Reitero que, hoje em dia, o predomínio de Serra sobre o PSDB ajudou no afastamento de toda uma geração de intelectuais de peso que historicamente apoiaram o partido. Aliás, o maior mal que o estilo truculento de Serra provoca, é contra seu próprio partido.

A blogofobia de Zé Bolinha-de-Papel

Imagem inline 1

A tentativa de Serra de intimidar seus críticos
Por Luis Nassif
Que José Serra é a mais perfeita vocação de ditador que a política brasileira moderna conheceu, ninguém duvida. Ninguém escapa dos seus arreganhos totalitários.
Meu blog foi reconhecido pela Burson-Marsteller como um dos quatro blogs jornalísticos mais influentes do Twitter – o único independente. Tenho história no jornalismo econômico, premiações e reconhecimento público.
A CEF anuncia no meu blog, assim como em outros blogs, inclusive críticos sistemáticos do governo.
Seu ataque à publicidade de estatais visa exclusivamente intimidar diretores de comunicação dos anunciantes.
Sobre meu blog, o dados estão disponíveis aqui mesmo.
Dos últimos 300 posts, 8 apenas foram sobre o mensalão, todos decorrência da decisão recente do TCU (Tribunal de Contas da União) de considerar regulares as contas do BB no período Pizolatto,
Cinco deles, reprodução de matérias de jornais. Duas deles, de leitores analisando o papel dos ministros do TCU.
Outros dois, minimizando o relatório do TCU: um, a nota do próprio TCU, outra, matéria do Globo informando que o Procurador Geral da República não se deixaria influenciar pela decisão do TCU.
Em relação às eleições, 11 posts, dentre os últimos 300:
Desses, 6 de jornalões e portais; um de site de esquerda; dois do blog, sobre a tropa de choque de Serra e sobre a foto ridícula dele no skate.
Dentre os 11, um do Globo com Serra acusando os blogs.
O que Serra pretende é calar qualquer voz crítica em relação a ele, como usualmente faz com jornalistas da própria velha mídia.



 


http://www.cartacapital.com.br/blogdoleandrofortes/


A blogofobia de José Serra


Por Leandro Fortes


A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.

A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.

Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do Tijolaço.com, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho.

Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo.

Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver.

Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos.

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.

Os EUA e suas ficcções

<b>CORINGA:</b> James Holmes, o atirador que matou 12 pessoas na estreia de 'Batman' nos EUA, fez a primeira aparição ontem diante de um juiz para procedimentos legais

(23/07/2012) CORINGA: James Holmes, 
o atirador que matou 12 pessoas na estreia de 'Batman' nos EUA,
em primeira aparição diante de um juiz para procedimentos legais 
23/07/2012

OS EUA E SUAS FICÇÕES



Por Mauro Santayana

(HD)- Os EUA, enquanto sociedade, sempre transitaram entre a fantasia e a realidade. A construção do mito americano e a sua disseminação pelo mundo, foram essenciais para o “american way of life” e a vitória sobre os soviéticos na Guerra Fria. Usando o cinema como arma de propaganda e cooptação cultural, os Estados Unidos, de Tom Mix a John Wayne, sempre exploraram o mito do cavaleiro solitário, que é rápido no gatilho e vive à margem do sistema, embora, na verdade, Calamity Jane tenha morrido de alcoolismo, Buffallo Bill, de um problema renal, e Bat Masterson, do coração.
O cidadão típico norte-americano acredita piamente nisso, e de vez em quando sua convicção no individualismo vai além da crença, e explode como as bombas do “Unabomber” John Kaczynski, ou do veterano da Guerra do Golfo Timothy McVeigh, que implodiu em 1995 o Edifício Federal de Olklahoma City, com centenas de pessoas em seu interior.
Do hábito de fantasiar o passado de seus mitos os norte-americanos passaram a dar-lhes outras dimensões, mediante a ficção dos quadrinhos, com o aparecimento, em 1938, do Super-Homem, e, não por acaso, um ano antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. O menino de Krypton seria logo seguido de uma longa linhagem de seres dotados de identidades secretas e super-poderes, e alguns deles, como o Capitão América e o Príncipe Submarino, seriam convocados para combater, no plano da fantasia, os inimigos externos dos Estados Unidos.
Com o tempo, os roteiros e os vilões tornaram-se complexos, soturnos e psicologicamente mais bem estruturados. E a utilização de atores como Danny De Vito e Jack Nicholson para interpretá-los elevou a um outro patamar o que antes estava – teoricamente – dirigido apenas ao público infantil. O cinema foi criado para que fantasia se sobrepusesse à realidade. Mas, de vez em quando, fantasia e realidade, neste novo mundo dominado pela ânsia da ilusão e do escapismo, tornam-se unidimensionais por um instante, e a tragédia eclode – lá e no resto do mundo.
Foi o que aconteceu na semana passada, em uma sala de cinema de shopping center de Aurora, na região de Denver, no Colorado. Como no título do filme, Batman – O Cavaleiro Negro ressurge das Trevas, um universitário de 24 anos, mascarado e vestido de preto, explodiu duas bombas de fumaça e gás lacrimogêneo dentro do cinema, trinta minutos depois do início do filme, e atirou, em seguida, a esmo, matando doze pessoas e ferindo mais de cinquenta, entre elas crianças. Preso pouco depois, fortemente armado, no estacionamento, o matador, James Holmes, identificou-se como o “Coringa”. Apanhadas, como moscas em uma teia de aranha, entre a ilusão e o fato, muitas vítimas foram atingidas por ter continuado onde estavam, acreditando que tudo aquilo era parte do espetáculo. O mundo necessita voltar à realidade.

.....

Jornal do Brasil, 25/07/2012

EUA: acusado enviou caderno com plano de massacre a psiquiatra

James Holmes, o homem acusado de abrir fogo em um cinema de Aurora, matar 12 pessoas e ferir 59 na última sexta-feira, enviou pelo correio a um psiquiatra da Universidade do Colorado um caderno com os detalhes de como planejava executar o massacre. A correspondência, no entanto, permaneceu fechada em uma sala até a última segunda-feira, quando o crime já tinha ocorrido, segundo publica em seu site nesta quarta-feira a Fox News.
A polícia e o FBI foram contatados por membros do campus de Medicina de Anschutz na manhã da última segunda-feira depois que o psiquiatra, professor da faculdade, relatou ter recebido um pacote que considerou suspeito. Embora essa primeira correspondência fosse inofensiva, buscas no campus levaram a outro pacote, também endereçado ao professor e enviado por Holmes.
"Dentro do pacote havia um caderno com detalhes sobre como ele ia matar as pessoas", disse uma fonte ouvida pela Fox. "Havia desenhos do que ele ia fazer, ilustrações do massacre", concluiu.
A correspondência estaria na universidade desde o dia 12 de julho, mas as fontes ouvidas pela Fox não souberam dizer porque ela ainda não havia chegado às mãos do psiquiatra. A emissora americana também não sabe ainda se o professor conhecia Holmes, que havia abandonado o programa de doutorado em neurociência.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A crença míope nos superpoderes de blogueiros

Imagem inline 1
 
 
Viomundo, 24 de julho de 2012
 
 
A crença míope nos superpoderes de blogueiros


Por Luiz Carlos Azenha


Confesso que, de uns tempos para cá, minha tolerância com a hipocrisia é próxima de zero.
Acho perda de tempo participar de polêmicas cuja função essencial é mascarar a realidade, além de alimentar o desejo de alguns por circo.
Circo move tráfego na rede.
A ação do PSDB relativa aos blogueiros Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif não busca debater o essencial, ou seja, o uso do dinheiro público em publicidade ou propaganda. Se buscasse, haveria de tratar do conjunto: quais são os gastos de governos federal, estaduais e municipais com propaganda? Quanto recebem a Globo, a Veja, a Folha e o Estadão proporcionalmente ao bolo? Os governos não poderiam reduzir estes custos investindo mais na internet, por exemplo, dada a crescente capacidade de disseminação de informações através das redes sociais? É viável fazer como o agora senador Roberto Requião, que quando governador do Paraná cortou todas as verbas publicitárias, a não ser as de campanhas de utilidade pública? Cabem políticas públicas para promover a pluralidade e a diversidade de opiniões?
Há outras questões, tão interessantes quanto. Deve um partido tentar definir a pauta de um blog eminentemente pessoal? Por que o anúncio de empresas públicas supostamente compra um blogueiro mas não compra um dono de jornal? Crítica é ataque às instituições? Ao criticar o Congresso, o governo federal ou o Judiciário os colunistas dos grandes jornais estariam ‘atacando as instituições’? Mas, se o financiamento dos jornais para os quais escrevem — ou das emissoras de rádio e TV nas quais trabalham — é feito parcialmente com dinheiro público, eles podem ‘atacar as instituições’ livremente e os blogueiros não? E a liberdade de expressão e o direito ao contraditório?
Trato destes temas com tranquilidade. O Viomundo, pelo menos por enquanto, é mantido com anúncios Google. O Leandro Guedes, que nos representa comercialmente, desenvolve ferramentas para que nosso financiamento seja proporcionado pelos próprios leitores. Desde que começou a fazer isso, há dois meses, não está autorizado nem a enviar os media kits (com dados de audiência, etc) a empresas públicas ou governos federal, estaduais ou municipais. Esperamos que a grande mídia siga nosso exemplo.

[Pausa para gargalhar]

Não sei o que moveu o PSDB. Provavelmente, pela escolha dos alvos, José Serra. Tenho comigo que algum mago, daqueles que cobram fortunas para fazer campanha, tenha concluído que existe uma relação entre a altíssima taxa de rejeição de Serra e a blogosfera/mídias sociais.
Não sei se o diagnóstico está certo ou errado, mas a cura é duvidosa. Parte do pressuposto de que blogueiros sejam capazes de mover legiões de internautas. A crença nisso é uma farsa, muitas vezes alimentada por quem está chegando agora ou está “investido” na blogosfera. Quem lida com os internautas no dia a dia e respeita a diversidade de opiniões descobre que este é um meio horizontal. Não é estruturado hierarquicamente. Não obedece a comandos. O valor das opiniões não está na autoridade, nem no currículo, nem no status do autor: deriva da qualidade, da lógica, da originalidade da argumentação. Deriva da capacidade de apontar algo que outros não notaram. De desvendar conexões encobertas. De colocar fatos em perspectiva histórica. De ajudar a concatenar e, portanto, fixar ideias que circulavam desconexas no “inconsciente coletivo digital”. Simplificando, quando a piada é boa ganha o mundo.
Aquela foto de Serra sobre o skate, na capa da Folha, pode ter sido feita num momento autêntico de descontração, mas cristalizou a imagem de um candidato tentando parecer o que não é: jovem. Se dezenas de milhares de pessoas perceberam isso ao mesmo tempo e puderam conversar sobre isso nas redes sociais — o que não poderiam ter feito no passado, quando dependiam de passar pelo crivo de um repórter, de um editor e do dono de um grande jornal e de escrever carta para a coluna do leitor – é culpa dos blogueiros?
Acreditar que dois blogueiros — ou duas dúzias — sejam capazes de mover a rede é subestimar a inteligência dos internautas. Ou alguém acredita que tem um comunista escondido embaixo de cada Curtir? Com ferramentas razoavelmente simples como o twitter e o Facebook, hoje cada leitor pode exercer como nunca seu direito de escolha, de interagir e de se fazer ouvir. É natural que quem vive no mundo das hierarquias rígidas estranhe, se sinta intimidado ou frustrado. O que está em curso nas redes sociais é o equivalente a uma segunda revolução do controle remoto.
Portanto, não estamos diante de uma tentativa do PSDB de defender as instituições ou de zelar pelo dinheiro público. Pode ser uma resposta exagerada ou míope diante de um fenômeno que o partido não consegue entender ou pretendia replicar e não consegue. Quem sabe exista um desejo subjacente de controle, de um ‘choque de ordem’ que preceda a privatização da crítica e do conhecimento intelectual, colocando ambos dentro de parâmetros aceitáveis pelo mercado (sobre isso, escreveu Slavoj Zizek). Ou é tentativa de intimidação, pura e simples.

Os paraísos fiscais e a nova servidão dos pobres

 
 
 
24/07/2012
 
 

OS PARAÍSOS FISCAIS E A NOVA SERVIDÃO DOS POBRES

 
Por Mauro Santayana
 
 
(JB)-O grande pensador britânico George E. Moore, que influenciou, entre outros, Bertrand Russell, e, por seu intermédio, Wittgenstein, buscou, como tantos filósofos, o amálgama entre a lógica e a ética. É provável que o tenha encontrado, ao afirmar que o fundamento de toda filosofia é o bom senso.

Qualquer pessoa dotada de razão é capaz de distinguir entre o bem e o mal, ao examinar determinada situação, a partir do senso comum. Sendo assim, sob qualquer exercício da inteligência, os grandes bancos do mundo não passam de quadrilhas de assaltantes. Não só assaltam isoladamente, mediante as taxas exacerbadas de juros e dos serviços que prestam, mas se associam a outros assaltantes para lesar os trabalhadores e os empreendedores honrados do mundo inteiro.

Os 50 maiores bancos do mundo, segundo os estudos da Tax Justice Network - da qual é um dos dirigentes o notável contabilista britânico Richard Murphy - são responsáveis pela transferência ilegal de 21 trilhões de dólares, em sua imensa maioria dos países em desenvolvimento, para os paraísos fiscais. A cifra é superior à soma do PIB dos Estados Unidos e do Japão. Trata-se de um duplo delito: o dinheiro, que poderia ser usado no desenvolvimento econômico interno, vai ser empregado na especulação financeira ou em investimentos nos países mais ricos do mundo, e são sonegados os impostos devidos aos estados nacionais. Trata-se de um assalto aos que, realmente, o produziram com o seu trabalho.

Os paraísos fiscais não acolhem apenas o dinheiro subtraído ao fisco, mas servem de bom refúgio aos recursos - empapados de sangue e marcados pelo sofrimento de milhões de famílias – procedentes do tráfico de drogas. Como se revelou recentemente, o HSBC admitiu ter servido para a lavagem de dinheiro das quadrilhas mexicanas de narcotráfico.

Os paraísos fiscais se multiplicaram, no mundo, a partir da deregulation anglo-americana dos anos 80, promovida por Reagan e Thatcher, com o objetivo de restaurar o processo de acumulação acelerada do capitalismo do fim do século 19. Embora já houvesse tais paraísos – e a Suíça é o mais antigo e o mais seguro deles – houve perversa competição entre governos de nações menores, com o objetivo de ganhar o máximo na guarda simbólica de tais valores, que não se transferem fisicamente para tais territórios. Sem os bancos de presença internacional, não seria possível essa peregrinação de recursos ilícitos. Para escapar à vigilância das autoridades honradas de alguns países (porque elas existem), tais recursos virtuais costumam peregrinar, indo de Tóquio a Berlim, de Berlim a Cingapura, de Cingapura a Santiago em alguns minutos, para, em seguida, refugiar-se onde não possam ser localizados.

De acordo com o estudo, os três maiores bancos responsáveis pela evasão de recursos são a UBS (União de Bancos Suíços), o Crédit Suisse e o Goldman Sachs. Eles encabeçam a lista, mas nenhum dos bancos privados que operam internacionalmente se encontram limpos. Uns mais, outros menos, operam na criminalidade. Não há povos que não sejam vítimas desse saqueio mundial.

Conforme o levantamento, a evasão maior procede da China, com mais de um trilhão de dólares nos paraísos fiscais. E estamos em posição desconfortável. Os nossos sonegadores e prováveis integrantes de quadrilhas de narcotraficantes e de corruptos e concussionários, mantêm mais de 520 bilhões de dólares em tais “paraísos”. Quando o então presidente Itamar Franco quis nomear um contador para o Banco Central, o mundo caiu sobre a sua cabeça. Itamar queria conhecer o conteúdo da chamada “caixa preta” da instituição. O principal denunciador dos paraísos fiscais, o contador Richard Murphy, atribui à fragilidade das leis que regem os sistemas contábeis dos grandes países a responsabilidade pelos crimes cometidos pelas grandes corporações, sobretudo as financeiras, contra os povos do mundo e, assim, pela brutal desigualdade social de nosso tempo.

Os bancos devem ter seus negócios expostos aos acionistas e clientes, e sob a fiscalização permanente das autoridades. Como se sabe, os sonegadores – entre eles, os bancos – operam com duas contabilidades, a real e outra para efeito público. Isso só é possível porque eles financiam as eleições, determinam como devem ser as leis, controlam os meios de informação e cooptam os formadores de opinião.
Se os cidadãos do mundo inteiro não se mobilizarem, o destino dos povos será aquele que parece esperar os gregos, os espanhóis, os sicilianos: nova e mais insidiosa servidão.



Imagem inline 1
 
 
Le Monde.fr – 23/07/2012
 
 
A evasão fiscal mundial: dez vezes o PIB da França
 
Por Soren Seelow
 
 
Imagine a riqueza nacional anual produzida nos EUA e no Japão. Esta será o valor do montante da evasão fiscal acumulada ao fim de alguns anos por pessoas físicas, segundo um estudo realizado pela Organização Não Governamental Tax Justice Network (Rede de Justiça Tributária), analisado na página do jornal britânico The Guardian em dois artigos recentes.
De acordo com dados obtidos com o Banco Mundial, com o Fundo Monetário Internacional, com as Nações Unidas e com os bancos centrais, os ativos financeiros pertencentes a pessoas físicas desviados para os paraísos fiscais alcançariam 17 trilhões de Euros.
O autor do estudo, James Henry, ex-economista-chefe do governo McKinsey, estima que seus números estão provavelmente subavaliados: a verdadeira soma poderia, segundo ele, situar-se em torno de 26 trilhões de Euros, ou seja, dez vezes o PIB francês.
Um buraco negro na economia mundial
Enquanto os governos europeus não param de aumentar a carga fiscal sobre seus cidadãos para reduzir suas dívidas públicas e os países mais pobres lutam para poder pagar as suas, o Tax Justice Network se interroga sobre o deficit dos estados. O estudo usa como hipótese de trabalho que esses bilhões desviados em impostos rendam a cada ano 3% para seus proprietários. Supondo que os governos fossem capazes de taxar essa renda a, digamos, 30%, então entre 155 e 225 bilhões de Euros retornariam a cada ano aos cofres públicos, ou seja, um valor superior ao orçamento anual da ajuda ao desenvolvimento. "Há um enorme buraco negro na economia global", diz o autor do estudo.
O buraco negro é visível nas estatísticas financeiras elaboradas pelas principais organizações internacionais. "As estatísticas padrão, como as do FMI, revelam inconsistências fundamentais, afirma o economista Thomas Piketty, especialista em desigualdades. Em termos globais, a balança de pagamentos deveria ser zero, mas não é: é sempre negativa. Vários pontos do PIB são perdidos anualmente. Dirigir uma crise financeira global nestas condições é um desafio. A Europa, neste respeito, tem se comportado como uma verdadeira peneira, porque não tem a influência política de países como a Suíça ou as Ilhas Cayman. Deve, portanto, parecer óbvio que não se pode ficar rico negociando com os seus vizinhos enquanto estes drenam as suas receitas fiscais."
Neste déficit colossal para todos os países do mundo, devemos ainda acrescentar ativos não financeiros dos "multimilionários" (obras de arte, imóveis, ouro ...), não abordados neste estudo e dinheiro de empresas que são legalmente isentas de impostos, através de programas de incentivo e renúncia fiscal.

Tradução: Argemiro Pertence

A Chevron e seus crimes ambientais na Amazônia equatoriana

São esta as empresas que nossos entreguistas querem ver explorando o petróleo brasileiro ao invés da Petrobrás.

Contaminação na região de Shushufindi
24/07/2012  

AÇÃO CONTRA A CHEVRON
Fonte: Rede Brasil Atual/Redação 

Há quase um mês, a justiça brasileira tem nas mãos um dos maiores processos da história. No dia 27 de junho, advogados que representam cerca de 30 mil indígenas e camponeses da Amazônia equatoriana acionaram o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que reconhecesse no país uma decisão emitida pela corte do Equador contra a empresa petrolífera Chevron.
A companhia foi considerada culpada por despejar aproximadamente 66 bilhões de litros de petróleo e demais elementos tóxicos no meio ambiente, sem qualquer tratamento prévio. Como consequência, o solo, os lençóis freáticos e os cursos d'água ficaram permanentemente contaminados. A Chevron, que na época atendia pelo nome de Texaco, também foi condenada por ter aberto na floresta mais de mil piscinas onde lançou todo tipo de rejeito químico proveniente da extração petrolífera. Muitas permanecem ao ar livre até hoje. Outras foram soterradas e voltaram a brotar.
Foram 28 anos de prospecções, entre 1964 e 1992, que renderam à empresa a extração de 1,7 bilhão de barris de petróleo. Nesse intervalo, dois povos indígenas (tetetes e sansahuaris) simplesmente desapareceram, os índices de desenvolvimento humano da região despencaram e as taxas de câncer foram às alturas. São, respectivamente, os mais baixos e os mais altos do Equador. Em 2009, a Revista do Brasil visitou Shushufindi, uma das cidades diretamente afetadas pela atuação da Chevron, e constatou o tamanho da tragédia. As cifras da violência são altíssimas para um município eminentemente rural de 18 mil habitantes, e o hospital local não vence tratar todos os casos de gastroenterite causados pela ingestão de água repleta de metais pesados. Em 2011, a justiça equatoriana determinou que a empresa deveria pagar uma multa de US$ 9,5 bilhões e pedir desculpas públicas pelos males que causou. Como as palavras de arrependimento não vieram, a indenização dobrou.
A Chevron recorreu da sentença, mas não teve jeito: no último mês de janeiro, 19 anos depois de terem iniciado o processo, as vítimas finalmente receberam uma resposta favorável dos tribunais. “Não poderia ter sido diferente”, argumenta Pablo Fajardo, advogado dos atingidos, que viveu na pele as arbitrariedades da companhia e resolveu estudar Direito para fazê-la pagar pelo que fez. “O crime está aí, é evidente e latente até hoje. Tudo está totalmente provado no processo, e a sentença está apegada às leis.” (Rede Brasil Atual/Redação)

Manipulação midiática

Edward Louis Bernays (Viena (Áustria), 22.Nov.1891 – EUA, 9.Mar.1995),
O sobrinho de Freud que tornou-se o "pai" de Goebbels
24/07/2012 
Que Justiça sobre o mensalão?

Fonte: Veiculado pelo Monitor Digital a partir de 20/07/12
Por Paulo Metri - Conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros e do Clube de Engenharia.  
Com extremo bombardeio midiático, o cidadão comum deve estar com dificuldade para entender o que se passa. Ou não está confuso, o que é pior, porque está totalmente ludibriado. Já é difícil de entender, quando as disputas se limitam a setores ou regiões; agora então, quando grupos econômicos e políticos estão disputando o controle do poder no país em futuro próximo, é muito pior. Para serem legitimados no poder, estes grupos precisam ganhar a guerra da aprovação popular.
O cidadão comum forma sua opinião, basicamente, através da mídia, que está longe de ter papel positivo na construção de uma sociedade democrática e consciente politicamente. Gosto muito de praticar o "jogo dos 42 erros", quando leio um jornal ou revista ou assisto a um canal de rádio ou TV, enfim, quando acesso a mídia do capital. Com leituras críticas sobre os diversos temas e usando racionalidade, pode-se identificar os erros que os editores comentem para empulhar a população.
Está certo que, para descobrir estes erros, o cidadão tem que ler sites independentes e buscar a verdade em articulistas não pagos por grupos econômicos e acolhidos pela mídia do capital. Têm raciocínios simples que permitem a qualquer um desconfiar que há alguma coisa errada nesta mídia. Por exemplo, quando se veicula a informação sobre uma greve, nunca ou quase nunca um representante do comando de greve é chamado para falar sobre as causas da greve e as reivindicações. Por quê? Quando estão debatendo sobre a exploração do pré-sal, todos os entrevistados invariavelmente fazem declarações favoráveis às empresas petrolíferas estrangeiras. Por que os diretores da Associação dos Engenheiros da Petrobras ou do Clube de Engenharia nunca são chamados?
Assim como acontece para estes dois exemplos, para muitos outros casos, existem visões divergentes no país, que nunca são mostradas. Esta prática chama-se de manipulação midiática. Quem bem definiu a grande mídia brasileira, de forma elegante, foi a filósofa Marilena Chauí, ao dizer: "É impossível haver um verdadeiro debate público de idéias em entes privados". Chauí não nos deu informação de quem poderia coordenar este debate público de idéias de forma a conscientizar a grande massa.
Obviamente, universidades, que tenham um nome a zelar, organizações não governamentais, que não sejam patrocinadas pelo poder econômico, e alguns órgãos públicos, que certamente não têm a incumbência de promover debates, seriam ótimos coordenadores deles, pois teriam a isenção necessária. A nossa sociedade toma decisões baseada em um mundo irreal criado pela mídia da desinformação.
Quem melhor descreveu este controle das decisões da sociedade, inclusive na escolha dos seus governantes, foi Edward Bernays, um dos pais da propaganda, ou melhor, da manipulação social através da propaganda, com atuação desde meados do século passado. Ele diz: "A manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo invisível da sociedade se constituem em um governo invisível que é o verdadeiro poder existente no país." E continuou: "Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos formados, nossas idéias sugeridas em grande parte, por homens de que nunca ouvimos falar. Este é um resultado lógico da maneira na qual nossa sociedade democrática é organizada."
Grande número de seres humanos deve cooperar desta maneira se eles querem viver juntos como uma sociedade que funciona tranquilamente."O conceito de democracia de Bernays obviamente não é o correto. Ele achava necessário manipular a sociedade, "uma vez que ela é irracional, sendo perigoso deixá-la escolher as opções livremente, sem indução". Pode-se falar que Bernays trouxe, mais uma vez, a tese que os fins justificam os meios, e acreditava possuir a verdade suprema; contudo, ele foi surpreendentemente honesto nos seus posicionamentos, não escondendo o que muitos negam fazer, mas vivem fazendo. Assim, vivemos em um jogo dissimulado de busca de acumulação máxima de poder e riqueza. Deter a informação que chegará às massas facilita esta acumulação.
Em eleições, a grande maioria da sociedade é chamada para opinar sobre a preferência entre os grupos que disputam o controle sobre ela. Nunca é chamada para opinar conscientemente, após proveitosos debates públicos, sobre alternativas diversas analisadas em todas suas consequências. Quantas vezes, sobre determinado fato, um único entendimento é mostrado, de forma bem orquestrada, em vários periódicos, rádios e televisões? Não sei se só uma nova lei de comunicação de massas, verdadeiramente democrática, resolveria esta deficiência da nossa sociedade, mas que ajudaria, é verdade. Por isso, urge aprová-la.
Como os juízes são parte integrante da nossa sociedade e têm os mesmos canais de informação da população, são igualmente influenciados, nem que seja minimamente, pelas versões espalhadas pelos grupos de interesse, sendo quase impossível ouvir uma opinião totalmente isenta. Nem me atenho ao fato que os legisladores, ao criarem determinada lei, por serem também humanos, erram às vezes, impossibilitando os mais criativos juizes de descobrirem interpretações para a lei socialmente mais atrativas.
No caso específico do mensalão, sem julgar o mérito, até porque não tenho o conhecimento jurídico, nem acesso aos autos, é óbvio que um grupo político está mais identificado com o ocorrido, apesar de não pesar acusação sobre a totalidade, nem mesmo a maioria, de seus integrantes.
Na cabeça do cidadão comum, se estará julgando o desempenho da totalidade deste grupamento político, buscando-se demonizá-lo, o que não é bom para o crescimento da consciência política da sociedade.
Confio nas palavras do Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, que declarou: "(...) e o julgamento do mensalão será técnico". O que espero do STF é exatamente isto, que sejam julgados eventuais desvios com o rigor técnico.
Entretanto, lastimo o estágio da democracia brasileira, porque, há pouco tempo, o então deputado Ronivon Santiago confessou, livremente, ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, o que poderia ter sido chamado de "aleatorião". Inclusive, o principal acusado não teve a oportunidade de se defender como se defenderão os atuais acusados do mensalão. Outro exemplo do tratamento diferenciado dado pela mídia às forças políticas.
Na manchete principal do Jornal do Brasil de 8 de junho de 1995, o dia seguinte à quebra do monopólio estatal do petróleo no Congresso Nacional, pode-se ler: "Governo esmaga oposição no petróleo". Tendo, logo abaixo: "O apoio da bancada ruralista custará pelo menos R$ 1 bilhão aos cofres públicos (diferença entre as taxas de mercado e os juros de 16% para agricultores)." Nada foi apurado posteriormente e esta pode ser considerada também uma parcela do "aleatorião".
Alem disso, é triste que uma sociedade que, nos últimos dez anos, conseguiu obter razoável contribuição para a paz social, terá que assistir ao julgamento de acusados de erros, que, se culpados, serão grandes irresponsáveis, pois poderão estar arrastando toda a conquista social para o limbo. Qualquer ministro do STF poderia estar vivendo um drama, à medida que o rigor jurídico eventualmente poderá diminuir a perspectiva de poder do grupo que, quer queiram quer não, foi o responsável pelo recente crescimento social. No entanto, os ministros certamente saberão decidir da melhor forma para benefício da nossa sociedade. Além disso, parece-me que a população brasileira tem amadurecido politicamente muito, nos últimos anos. Maturidade esta que permitirá eventuais culpados serem identificados e penalizados, sem haver perdas na condução política. Assim, a sociedade não estaria dando ouvidos a qualquer informação que lhe chega. Os marqueteiros eleitorais e os políticos mal intencionados passariam a ter maior dificuldade para ludibriar a população. É como se o grau de manipulação, ainda existente, estivesse caindo, e a conscientização política da sociedade melhorando.