terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Greve de fome em frente à TV Globo por vítimas do Pinheirinho



 

Greve de fome em frente à TV Globo completa 48 horas e segue adiante por vítimas do Pinheirinho

 

31/1/2012 19:42,  Por Redação - do Rio de Janeiro 

TV Globo Pedro Rios Leão segue em greve de fome, em frente à TV Globo

O jornalista Pedro Rios Leão permanece algemado há 48 horas a um mobiliário urbano, em frente à sede da Rede Globo, no Jardim Botânico, Zona Sul da cidade, e pretende seguir em greve de fome contra a atuação da Polícia Militar paulista em Pinheirinho, no município de São José dos Campos, interior paulista. Sentindo-se “meio estranho e cansado”, o manifestante acredita que seu sacrifício é uma forma de alertar às autoridades para o “crime perpetrado contra uma comunidade pacífica, atualmente refém da PM do governo de São Paulo”.
– Minha maior arma é o constrangimento porque passa a TV Globo, que simboliza a mídia conservadora e maniqueísta que escondeu o massacre cometido pela polícia e por agentes da guarda municipal de São José dos Campos. Minha greve de fome tem o objetivo de denunciar os atos de barbárie cometidos contra uma população desarmada. Meu protesto é para que o governador Geraldo Alckmin seja preso. Que os desembargadores que assinaram a ordem para que a violência ocorresse sejam presos. Que o proprietário daquelas terras, o especulador Naji Nahas seja preso – protesta Leão.
Exposto às intempéries, como a chuva forte que caiu sobre o Rio de Janeiro no final da tarde desta terça-feira, Pedro Rios Leão não conta com qualquer abrigo “exceto o apoio de todos aqueles que estão aqui ao meu redor”, disse. Uma pequena multidão, com 26 pessoas, cercavam o jornalista no início da noite.
– Passou há pouco um carro da PM aqui do Rio e conversei longamente com o oficial responsável aqui pela área do Jardim Botânico. Ele assegurou que meu protesto é legítimo e não haverá, da parte dele, qualquer iniciativa no sentido de interrompê-lo – relatou.
Perguntado pelo Correio do Brasil até quando pretende seguir adiante com a greve de fome, Pedro Rios Leão disse que 48 horas ainda é pouco tempo para avaliar a extensão do movimento.
– Cresce à cada minuto o apoio de todos a este protesto. Tenho certeza que o vídeo divulgado na internet já chegou à Presidência da República e espero uma intervenção federal em Pinheirinho, para livrar os habitantes do jugo policial em que se encontram, como forma de atender a essa reivindicação mínima para o encerramento da greve de fome.
Embora a Rede Globo não tenha citado, em nenhum dos noticiários, o fato que ocorrem na porta da frente de sua sede nacional, jornalistas da emissora procuraram o colega para se solidarizarem com o protesto em curso. Pedro Rios Leão segue revoltado com o silêncio da mídia conservadora.
O sistema político-econômico parece começar a enfraquecer e da mesmo forma o sistema midiático brasileiro começa a ser questionado cada vez com mais veemência. A Justiça não vai fazer nada, eu estou em frente a Globo porque é o último ponto de resistências deles, e o máximo que eles vão fazer é abafar o caso, mas não deixo isso acontecer porque estou aqui – afirmou

Vídeo: A excelente extrevista coletiva de Dilma em Havana


Dilma chega ao Haiti depois de deixar Cuba

Entrevista coletiva de Dilma em Havana




Terça-Feira, 31 de Janeiro de 2012

Dilma sobre gestos à esquerda: 'Fico estarrecida com pergunta'


André Barrocal


Havana – A presidenta Dilma Rousseff teve nesta terça-feira (31) a chance de definir-se como de “esquerda” e de fazê-lo num lugar símbolo do ideal socialista na América Latina. Em vez disso, reagiu com surpresa ao ser questionada, em entrevista em Cuba, sobre recentes sinais políticos que emitiu nos últimos dias, incluindo a visita oficial à ilha de Fidel Castro.

Presidenta, a senhora começou o ano indo ao Fórum Social e agora vem a Cuba, são gestos políticos mais à esquerda. Por que a senhora fez isso?

"Eu acho interessante a forma como a mídia analisa meus atos... Posso te dizer uma coisa? Eu fico estarrecida com esse tipo de pergunta, estarrecida. Porque... significa que no ano passado eu fui à União Européia, recebi os Estados Unidos (…), fui no G20, fui pra Argentina... Como é que a gente interpretaria o ano passado?"

No roteiro internacional 2012 de Dilma, aberto com a visita a Cuba, está previsto também que ela viaje aos Estados Unidos, provavelmente em março, em retribuição a uma visita feita pelo presidente Barack Obama ao Brasil no ano passado.

Dilma já esteve nos EUA, como presidenta, mas foi para abrir a Assembléia Geral das Nações Unidas no ano passado.

Com Raúl, Dilma fala de Lula e Celac; com Fidel, 'orgulho' e sigilo


André Barrocal



Havana – Na reunião de 1h15 que teve com o líder cubano Raúl Castro nesta terça-feira (31), a presidenta Dilma Rousseff conversou sobre uma retribuição da visita, a saúde do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e a criação da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), organismo político que exclui EUA e Canadá, além dos investimentos brasileiros na ilha.

Pelo lado brasileiro, a reunião foi testemunhada apenas pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Partriota, e pelo assessor para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. O encontro foi parcialmente relatado aos jornalistas por assessores governamentais que tiveram acesso aos participantes do encontro.

Mais tarde, depois de almoçar, Dilma encontrou-se com o outro Castro da família, o mais velho e famoso, Fidel, de 85 anos (Raúl está com 80). Apesar de Fidel estar doente – a última aparição pública dele foi em 2006 -, as autoridades cubanas ainda têm muita preocupação com a segurança dele, de modo que o encontro foi restrito inclusive para assessores dos dois lados.

Dilma foi à casa de Fidel acompanhada apenas de Patriota, Marco Aurélio e governador da Bahia, Jacques Wagner, que pegara carona na visita presidencial na segunda-feira (30) – Dilma viajou a Cuba a partir de Salvador. Nem mesmo o fotógrafo oficial da Presidência brasileira teve acesso ao encontro, cujo registro coube exclusivamente a uma equipe que trabalha para Fidel.

Mais cedo, em entrevista à imprensa, Dilma disse que encontraria Fidel "com muito orgulho"

Dilma: Na questão de direitos humanos todos têm telhado de vidro

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O Globo.com, 31/01/2012 


Direitos humanos não devem servir de arma política, diz Dilma


HAVANA - A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça, diante do Memorial José Martí, um dos heróis cubanos, que a questão dos direitos humanos deve ser tratada de forma abrangente e não apenas de uma maneira localizada. Dilma, que chegou ontem à ilha, afirmou que não se pode fazer do tema uma arma para combate ideológico. Ela lembrou que os Estados Unidos mantêm a base naval de Guantánamo na ilha, com diversos presos que não foram julgados ainda, embora estejam detidos há quase 10 anos. A presidente não falou se conversaria sobre o assunto com o presidente Raul Castro, com quem está reunida para assinatura de uma série de tratados entre os dois países.
— Nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos, a respeito de uma base aqui chamada Guantánamo, direitos humanos em todos os lugares. Prefiro falar de outra coisa, prefiro falar de uma coisa que é muito importante que é o fato de que o mundo precisa se comprometer, em geral, e não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político ideológico.
A presidente disse que na questão de direitos humanos todos têm telhado de vidro, incluindo o Brasil, e ninguém pode atirar a primeira pedra.
O mundo precisa se convencer de que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso. Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Acho que esse é o compromisso de todos os povos civilizados. É necessariamente um dos aspectos a serem considerados.
E completou:
— Agora, de fato, é algo que temos de melhorar no mundo de uma maneira geral. Não podemos achar que direitos humanos é uma pedra que você joga só de um lado para o outro. Ela serve para nós também .
Dilma também não quis polemizar sobre o pedido da blogueira Yoani Sánchez, que obteve, na semana passada, um visto para ir ao Brasil participar do lançamento de um documentário sobre liberdade de imprensa no Brasil e em Cuba. Apesar do visto, Yoani ainda espera autorização do governo cubano para poder viajar. Na próxima sexta-feira ela deverá obter a resposta oficial.
O Brasil deu seu visto para a blogueira. Agora, os demais passos não são da competência do governo brasileiro.

Justiça de Pinheirinho recebe “por fora”?

 





Justiça de Pinheirinho recebe “por fora”?

Publicado em 31/01/2012

http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/01/fogo-em-pinheirinho.jpg
Na foto, a Justiça de SP em atividade

Saiu na Folha (*):

TJ-SP investiga pagamentos fora do contracheque a juízes


Valores teriam sido depositados na conta de 29 desembargadores de 2006 a 2010. CNJ diz que não há regra específica para registrar remunerações, mas situação dificulta investigação da corte


FREDERICO VASCONCELOS

FLÁVIO FERREIRA

DE SÃO PAULO


O Tribunal de Justiça de São Paulo investiga se
pagamentos privilegiados para 29 desembargadores entre 2006 e 2010 foram feitos diretamente nas contas correntes dos magistrados, sem registro em contracheques.

“Essas antecipações possivelmente tenham sido pagas dessa maneira. Verificaremos nossas fichas financeiras”, diz o recém-empossado presidente do TJ, Ivan Sartori.

Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão responsável pelo controle administrativo dos tribunais, “não há nenhuma disposição específica em lei geral sobre como devem ser preenchidos os documentos comprobatórios de remunerações”.

A falta de transparência na corte é agravada pela dificuldade de obter informação no setor de folha de pagamentos. A recusa em fornecer dados sobre remunerações causou a primeira rusga significativa do tribunal com o CNJ.

O então presidente do TJ-SP, Roberto Vallim Bellocchi, negou-se a fornecer ao CNJ comprovantes dos pagamentos daqueles que recebiam o chamado “auxílio-voto”, espécie de comissão extraordinária por votos proferidos.

Relator do caso, o então conselheiro Joaquim Falcão constatou que o “auxílio-voto” permitia driblar o teto constitucional dos juízes.

Pretendia-se verificar se pagamentos de remuneração haviam sido contabilizados como indenizações, evitando a incidência de impostos.


http://descurvo.blogspot.com/2012/01/dez-mentiras-que-cercam-o-pinheirinho.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dez Mentiras que Cercam o Pinheirinho 

 

Desabrigados do Pinheirinho -- Anderson Barbosa/Fotoarena/Folhapress    
Com a tragédia ainda em curso, e a quantidade colossal de sofismas e boatos propositalmente espalhados acerca do Pinheirinho, me dei ao trabalho de selecionar as dez piores mentiras - no sentido de superstição consciente e oportunamente utilizadas pelo Poder - que estão a pairar por aí sobre o tema. Vamos lá:

1. "Não houve violações, a reintegração de posse foi pacífica"
Eis a pior e mais primária de todas. Vídeos aos montes, fotos aos milhares,  além de relatos emocionados de testemunhas oculares - como o nosso Tsavkko - e de moradores - dados, inclusive, para a imprensa internacional - contradizem isso. A polícia não veio para brincar, com sua tropa de choque, suas balas de borracha e sua sede por violência. Atacaram uma comunidade formada por famílias - seus velhos, suas crianças, pessoas com necessidades especiais - e quem ficou no meio do caminho apanhou. Sobre eventuais distorções da nossa imprensa, convido à leitura do que pensa sobre isso o Guardian, um dos principais jornais do mundo.
 
2. "A culpa é dos moradores, por serem invasores e/ou por não terem negociado"
É a tese do varão da república (do café com leite) Elio Gaspari, devidamente rebatida pelo nosso João Telésforo. Acrescentamos ainda que o Brasil possui 22 milhões de vítimas do chamado "deficit habitacional" - o eufemismo contábil que expressa a quantidade daqueles que foram largados para morrer ao relento -, o Brasil possui uma Constituição que fala em função social da propriedade privada e em dignidade da pessoa humana, o Brasil possui uma jurisprudência que não aceita a inércia da administração pública como desculpa. para não realização de políticas públicas. Outra, não estar nem aí para um contingente de milhares de pessoas - só no caso do Pinheirinho - é uma decisão política sua, portanto, assuma o risco dela, mas esperar que essa gente simplesmente tenha de sentar e esperar a morte chegar, é pedir de mais - ou mesmo aceitar um cheque qualquer e enfie o rabo entre as pernas do lugar onde ela estão estabelecidos, só para, no fim das contas, realizar o fetiche dos credores da massa falida de um mega-especulador.
 
3. "Foi um processo duro, mas cumpriu-se a letra da lei" 
Nem isso. Na manhã de domingo, quando ocorreu a invasão, havia um conflito de competência entre a Justiça Estadual e a Justiça Federal, portanto não havia ordem judicial que autorizasse realmente qualquer reintegração de posse. Mesmo se houvesse, uma ordem judicial não equivale a uma carta branca da polícia para fazer nada, tampouco ignorar os direitos ou as garantias daqueles cidadãos asseguradas pelas Constituição.

4. "Os moradores estão sendo atendidos devidamente" 
Os moradores do Pinheirinho, depois de perderem suas casas, estão amontoados em igrejas, ginásios ou quetais. Eles estão ao relento e identificados com uma pulseira azul - por que não uma estrela azul logo de uma vez?
 
5. "Os policiais só cumpriram ordens"
Opa, tudo bem que militares obedecem ordens, mas isso não significa que, numa democracia, um oficial deva acatar irresponsavelmente uma ordem qualquer e executá-la da maneira que bem entende - com suscitou a secretária de justiça de São Paulo Eloisa Arruda -, do contrário, lhes seria autorizado atentar contra a ordem ("democrática"), o que seria uma hipótese absurda. É evidente que os maiores responsáveis por essa hecatombe são os senhores Geraldo Alckmin e Eduardo Cury - respectivamente governador do estado e prefeito municipal de São José dos Campos -, mas os oficiais que lideraram a missão tem sua parcela de responsabilidade nessa história sim.

6. "O Pinheirinho é uma espécie de Cracolândia" 
"Só se for no quesito da especulação imobiliária sobrepondo-se ao direito e à dignidade das classes pobres" como diria meu amigo joseense Rodrigo dos Reis. De resto, essa analogia - como foi utilizada pela Rede Globo - só duplica a perversão verificada no apoio à política de "dor e sofrimento", aplicada na região do centro de São Paulo chamada "Cracolândia" - um grave problema de saúde pública e de moradia, tratado à base de cacetete.
 
7. "O governo federal é culpado por ter politizado a situação"
Como testemunhamos na nota soltada pelo PSDB para "responder" o governo federal. Bom, nem vou perguntar como alguém poderia ter politizado uma situação que é política por natureza, mas como seria possível despolitiza-la. Ainda, é curioso como se responda ao quase silêncio do governo federal culpando-o por uma ação violenta que foi executada por dois governos seus, o estadual de São Paulo e o municipal de São José dos Campos. De novo, chuto o balde aqui: faça um, dois, um milhão de pinheirinhos, mas pelo menos assuma o que fez e não se ponha como vítima, as vítimas são os desabrigados.
 
8. "Os moradores do Pinheirinho são envolvidos com movimentos sociais radicais"

Membros do PSDB, como o pré-candidato paulistano Andrea Matarazzo, pensam o mesmo do correligionário Geraldo Alckmin, nem por isso alguém razoável defende que o governador seja arrancado à força do que quer que seja. No mais, o governador Alckmin ou os próceres da massa falida do Nahas na imprensa, deviam saber que vivemos numa democracia e as pessoas têm liberdade para se filiar ao grupo pacífico que bem entendem - nem na hipótese absurda de todos os moradores do Pinheirinho terem relação com o PSTU (que é como dizer que todos os moradores do bairro de Alckmin têm ligação com, p.ex. a opus dei), é fato que aquele partido jamais usou de força ou conluios no judiciário para desalojar um bairro inteiro, logo, quem é radical mesmo?

9. "O governo federal não podia ter feito, nem pode fazer, nada"
Podia sim, tanto que estava negociando uma saída pacífica, até que veio a invasão no domingo, uma boa dose de paralisia, uma comemoração de 25 de março com tucanos de alta plumagem e uma condenação vazia no recente fórum social mundial. Dizer que o Pinheirinho é Barbárie, até eu digo, Presidenta,  agora mandar hospitais de campanha do exército fornecer ajuda humanitária aos milhares de desabrigados, nem todo mundo pode - e mesmo vale para a construção de moradias dignas para eles no curto prazo. Importante: não estou nivelando tucanos a petistas, esse caso deixa claro que os primeiros não têm coragem de assumir o que fazem, enquanto os segundos não têm coragem de fazer aquilo que assumem - são papéis inteiramente diferentes.
 
10. "O Pinheirinho é uma catástrofe, estamos todos derrotados, não há nada o que fazer contra essa marcha invencível"
Toda marcha desse tipo, em seu interior, admite uma Leningrado - e eu não estou chamando tucanos de fascistas em um sentido histórico não, afinal, aqueles tinham coragem  moral de assumir o que faziam, isso foi só uma metáfora que guinadas reacionárias, por sua própria natureza, trazem consigo a possibilidade de sua derrota. No demais, não existe espaço para choradeira como colocou com precisão o Bruno Cava pelo papel que o Pinheirinho está cumprindo. Digo mais, repetindo o que já digo aqui o tempo todo: a favela é o locus definitivo de resistência daqueles que foram largados para morrer ao relento, é processo de luta, portanto, sua própria existência - e sua re-existência - é positividade pura. O antropofágico Pinheirinho, mais ainda. Derrota é a resignação, é sentar-se e aceitar morrer, nada disso aconteceu.


Atualização de 27 de Janeiro às 15:49: Assine e ajude a divulgar o manifesto para  denunciar as atrocidades do Pinheirinho para a OEA - neste link.

Cuba, mídia e hipocrisia

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Havana - 30.jan.2012


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Terça-Feira, 31 de Janeiro de 2012


CUBA, MÍDIA E  HIPOCRISIA

A  Folha desta 3ªfeira dedica meia página da Ilustrada a entrevista com ilustre escritora cubana desconhecida. Sem piscar, nem engasgar, lá pelas tantas, Zoé Valdés, que vive em Paris, afirma que o regime de Fulgêncio Batista era mil anos luz melhor que o de Fidel Castro. Passemos.

Na 'totalitária' Cuba uma Comissão de Direitos Humanos convocou ontem uma coletiva de imprensa internacional, livremente realizada (será que na sempre poupada Arábia Saudita isso seria possível?). Colocou à disposição dos jornalistas a viúva de um suposto dissidente morto após greve de fome. O  motivo original da prisão, reconhecido pela viúva, não foi político, mas uma briga de casal, que levou  sua mãe a pedir socorro aos vizinhos e estes à polícia. Nota da União Patriótica Cubana, de oposição, admite que o  'estreitamento de laços' do suposto dissidente com a UPC só teria ocorrido após a prisão. No mínimo nebuloso, este é o caso em torno do qual a mídia demotucana tentou transformar a visita oficial da Presidenta Dilma a Cuba num constrangimento diplomático.

O jornal O Globo, como se sabe um veículo de impecável tradição democrática, reclama, também na edição desta 3ª feira, que a entrevista coletiva da viúva teve a  participação da imprensa oficial cubana, cujas perguntas provocaram, digamos assim, ruídos na narrativa conservadora do caso.

Carta Maior defende a democracia em todas as latitudes e considera incompatível o socialismo sem soberania popular, mas não compactua com a hipocrisia midiática que subestima a inteligência do leitor e menospreza a História

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Centenário de Herivelto Martins

Centenário de Herivelto Martins

Por Laura Macedo 
Herivelto de Oliveira Martins
* 30/01/1912 - Engenheiro Paulo de Frontin (RJ)
+ 17/09/1992 - Rio de Janeiro (RJ)
Cantor / Compositor


 Nascia, em 30 de janeiro de 1912, há exatos 100 anos, Herivelto Martins, filho de uma modesta família de Rodeio (RJ), atualmente município de Engenheiro Paulo Frontin.
 Cresceu nos grupos de teatro amador do pai onde, gradativamente, foi descobrindo os segredos da representação teatral e circense. Mas o pai (Félix) almejava para o filho um emprego fixo e rentável. O desejo do pai aconteceu, mas durou pouco; Herivelto ainda aguentou um ano.
 Atraído pelo circo que se instalara no bairro, onde cantava e ajudava nas mágicas, abandonou o emprego e fugiu de casa para desespero dos pais, mas retornou.
 Em 1930 a família muda-se para São Paulo à procura de melhores condições de vida, o que não se efetivou. A veia artística de Herivelto pulsava mais do que nunca motivando-o a procurar a concretização dos seus sonhos.
 Sem dinheiro e nem profissão, só com a cara e a coragem, e, também, muita determinação de vencer com a música, resolve aos 18 anos tentar a sorte no Rio de Janeiro.
 Sua aterrissagem no mundo artístico se deu pelo compositor Príncipe Pretinho (José Luís da Costa), que o levou ao Conjunto Tupi, de J.B. de Carvalho.
 “Estou procurando um lugar para trabalhar, porque eu canto, eu recito, eu sei fazer de tudo”, diria ao ser apresentado para J.B. E foi logo mostrando uma música de sua autoria – “Da cor do meu violão”. J.B. de Carvalho gostou e a lançou pela RCAVictor, na condição de constar seu nome, também, como autor. Herivelto, no marco zero da carreira, cedeu-lhe a parceria em troca da gravação. Era o início de uma carreira promissora.


Ouça abaixo, clicando no nome da música.
Da cor do meu violão(Herivelto Martins) # Conjunto Tupi. Disco Victor (33.599B), 1932.


 Com a boa receptividade da música “Da cor do meu violão”, J.B. de Carvalho convidou o jovem Herivelto para cantar no coro de conjunto Tupi. Como o grupo era contratado da RCAVictor, Herivelto passou a integrar o coro da gravadora, no qual ficaria famoso por introduzir alguns breques nas gravações, à maneira do cantor Luís Barbosa.
 “Cheguei na hora da gravação e comecei a fazer breques. O pessoal tremia, pois isso não era permitido. Na hora de gravar o pessoal prendia a respiração. Mas eu fiz aquilo, o americano da gravadora gostou e mandou que eu fizesse os breques mais perto do microfone. Dias depois, eu era nomeado diretor do coro”.
 Na fase em que dirigiu o coro da RCAVictor, teria sob seu comando vozes que se tornariam famosas, como as de Ciro Monteiro, Odete Amaral, Araci de Almeida e Orlando Silva. Foi nessa época que conheceu o cantor Francisco Sena, de quem ficaria muito amigo.
 Foi Vicente Marzulo, agente comercial de J.B. de Carvalho quem observaria um curioso e belo dueto entre Herivelto e Sena: “Que é isso que vocês estão fazendo? Canta aí de novo!”
 Naqueles dias, o conjunto Tupi se preparava para fazer um teste que escolheria um número especial a ser apresentado nos intervalos das sessões de cinema do Teatro Odeon. Como o grupo não foi aprovado, Marzulo não pensou duas vezes: chamou Herivelto e Sena e pediu que repetissem o dueto, numa tentativa desesperada de conseguir o tal contrato. E não é que deu certo? O empresário do teatro gostou tanto que contratou o grupo todo.
 “Qual o nome dos dois?”, indagou. Pego de surpresa, Marzulo improvisou: “É... a dupla do preto e do branco”.
 Na estreia, o Preto e Branco fizeram mais sucesso do que o conjunto de J.B. de Carvalho, estimulando Herivelto a compor especialmente para a dupla. Surgiu, assim, o samba “Preto e Branco”, que se tornaria um grande êxito do Teatro Odeon. Com a fama passaram a adotar um nome artístico de Dupla Preto e Branco.
 Ouça abaixo, clicando no nome da música.

Preto e Branco” (Herivelto Martins) # Dupla Preto e Branco. Disco Odeon (11.119B), 1934.

Quatro horas” (Herivelto Martins / Francisco Sena) # Dupla Preto e Branco. Disco Odeon, 1934.

DUPLA PRETO E BRANCO (primeira formação): Francisco Sena e Herivelto Martins.
 Os planos de Herivelto para o futuro da dupla seriam interrompidos em 1935, com a morte prematura de Francisco Sena. Repentinamente desempregado, o compositor passaria a atuar sozinho por quase um ano, até ser contratado pela empresa Pascoal Segreto que atuava no Cine Pátria, em São Cristovão. Nesse novo trabalho conheceu uma cantora possuidora de uma linda voz.


Era a Dalva, com aquela voz tão bonita”, lembrava.
 


Em pouco tempo, Herivelto e Dalva, começariam a cantar em dueto. Logo em seguida, estariam namorando e, naquele mesmo ano de 1936, vivendo juntos.

 
DUPLA PRETO E BRANCO (segunda formação): Nilo Chagas / Herivelto Martins


 Partiu de Herivelto a ideia de integrar Dalva de Oliveira a recente formação da Dupla Preto e Branco, agora com Nilo Chagas. E a novidade de um trio formado por um par de vozes masculinas, secundando uma voz feminina, expressiva e superaguda, agradou em cheio e fomentou sucesso imediato.

 
TRIO DE OURO (primeira formação): Nilo Chagas / Dalva de Oliveira / Herivelto Martins

 Logo pipocaram convites para apresentações nas mais diversas emissoras de rádio. Na Mayrink Veiga, receberiam do animador César Ladeira– famoso pelos apelidos que colocava nos cantores que se apresentavam em seu programa – o batismo final:
 “Vamos ouvir agora esse conjunto vocal, Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. Um Trio de Ouro!”. Anos depois, Herivelto comentaria: “Eu nunca poria esse nome no conjunto. Seria pretensão minha”.


Uma das faixas desse excelente disco: "Ave Maria no Morro" (Herivelto Martins) # Trio de Ouro.

 O Trio de Ouro com a formação acima atuou até 1949, ano do término do casamento de Herivelto com Dalva, rendendo uma polêmica musical de grande repercussão. Mas o Trio de Ouro renasceria em outras formações como a constituída por Herivelto, Raul Sampaio e Lourdinha Bittencourt(foto abaixo).

 
Perdoar” (Herivelto Martins / Raul Sampaio) # Lurdinha Bittencourt. Disco RCAVictor, 1952.

 A partir dos anos 1970, o Trio voltou a realizar shows esporádicos, com uma nova solista, a cantora Shirley Dom, sendo Raul Sampaio mantido por Herivelto.
 De importância fundamental na história da Música Popular Brasileira, o Trio gravou 99 discos pelas gravadoras Odeon, Victor e Columbia, com quase 200 músicas.
 É inegável o sucesso obtido por Herivelto Martins com o Trio de Ouro, mas ele também se notabilizou como grande autor carnavalesco. Sua paixão pelo samba e, em especial, pelo carnaval e escolas de samba, fez com que, compusesse várias músicas do gênero.

 
  “Herivelto já era um homem de samba de morro, antes que as escolas de samba se organizassem. Quando a Mangueira surgiu, por volta de 1930, já o encontrou com o violão e os tamborins preparados” (Ruy Castro).
 Ainda na década de 1930 ele inovava mais uma vez ao criar a primeira escola de samba de salão, inaugurada num programa da Rádio Nacional.

 

A Estação Primeira de Mangueira era sua Escola do coração, para a qual compôs vários sambas.


Lá em Mangueira” (Herivelto Martins/Heitor dos Prazeres) # Martinho da Vila e Originais do Samba. Disco RCA Victor, 1971.
Saudade de Mangueira” (Herivalto Martins) # Trio de Ouro. Disco RCA Victor, 1954.



No comecinho da década de 1940 compôs com Grande Otelo um dos sambas de maior sucesso de sua carreira – Praça Onze -, onde Herivelto usava pela primeira vez numa gravação, o apito para marcar o ritmo.
 “O samba não tinha apito. Foi durante a gravação que eu coloquei um apito. Quando o maestro Benedito Lacerda viu aquilo, ficou achando que não ia dar certo, parecia guarda civil. Acabei insistindo e, mais tarde, é que as escolas de samba tomaram. Eu inventei o apito como elemento rítmico do samba” (Herivelto).
 “Praça Onze” (Herivelto Martins/Grande Otelo) # Castro Barbosa e Trio de Ouro. Disco Continental, 1941.
 Herivelto Martins sempre teve muita facilidade para criar letras e melodias e era consciente do próprio talento, o que não impedia que estivesse aberto às contribuições dos amigos. Compôs com grandes nomes da sua geração a exemplo de Ciro Monteiro, Benedito Lacerda, Grande Otelo, David Nasser, Heitor dos prazeres, Assis Valente, Haroldo Barbosa, Marino Pinto, Roberto Roberti, Aldo Cabral e tantos outros.

 

"Um dos parceiros preferidos era Marino Pinto foto acima), com quem fez clássicos da música brasileira, como “Cabelos brancos” e “Segredo”.

Cabelos brancos” (Herivelto Martins/Marino Pinto) # Quatro Ases e Um Coringa. Disco RCA Victor, 1951).
Segredo” (Herivelto Martins/Marino Pinto) # Rosana Toledo.
 
Grandes intérpretes gravaram a obra de Herivelto Martins, entre eles, destacamos Francicso Alves, Aracy de Almeida, João Gilberto, Nelson Gonçalves e Carmen Miranda.

 

A Lapa” (Herivelto Martins/Benedito Lacerda) # Francisco Alves. Disco Odeon, 1949.
As três da manhã” (Herivelto Martins) # Aracy de Almeida / Conjunto Abel Ferreira, 1946.
Isaura” (Herivelto Martins/Roberto Roberti) # João Gilberto, 1973.

 
 “Pensando em ti” (Herivelto Martins/David Nasser) # Nelson Gonçalves, 1974.

Meu rádio e meu mulato” (Herivelto Martins) # Carmen Miranda, 1938.

A respeito desta música, o compositor lembrava: “Em 1938, conheci Carmen Miranda, aquele sucesso. Ela me pediu uma música e fiz um choro sobre o morro. Tenho influência do morro porque morei em São Carlos. A música foi um sucesso”.


Na SBACEM, Herivelto Martins preside a mesa do Conselho deliberativo. Com ele estão os compositores Joubert de Carvalho, Carvalhinho e Mário Rossi.


Outra faceta da vida de Herivelto foi a luta pelos direitos autorais dos artistas. Presidiu a SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música), logrando êxito nos pleitos ao direito à aposentadoria e a obrigatoriedade da contribuição sindical. Foi também presidente do Sindicato dos Compositores por dois mandatos consecutivos.

 
Dalva e Herivelto abraçados ao primeiro filho – Pery Ribeiro -, que seguiria a carreira artística dos pais tornando-se um excelente compositor e cantor. Confiram no áudio abaixo na composição “Bossa na praia”, de Pery Ribeiro/Geraldo Cunha, na interpretação de Pery.


Aqui Pery Ribeiro interpreta “Negro telefone”, de Herivelto Martins e David Nasser


Dalva de Oliveira em dueto com Pery Ribeiro.


Clipe de Dalva de Oliveira com seu filho, Pery Ribeiro. O vídeo da música Ave Maria (de autoria de Vicente Paiva e Jayme Redondo), grande sucesso da ótima cantora, foi filmado em 1960 na sede carioca da gravadora Odeon e reconstruído graças aos recursos de animação. Participou da 15ª edição do festival Anima Mundi!

Meu pai Herivelto Martins, ainda é o cronista maior de um Rio de Janeiro que abrigou em seu tempo as maiores cabeças musicais no nosso país. Com a força e sensibilidade de sua obra, liderou um momento artístico que enriqueceu a cultura popular do Brasil, deixando um legado de simplicidade e comunicação com a massa, numa linguagem de cores tão fortes que irão colorir para sempre a alma do povo brasileiro”. (Pery Ribeiro)


Herivelto Martins viveu até os 80 anos. Faleceu de complicações pulmonares.
Acho que Pery Ribeiro foi muito feliz no texto acima. O talento revelado precocemente em Herivelto Martins engendrou uma obra que muito contribuiu à edificação da Música Popular Brasileira.
Enquanto existir alegria, amor e paixão sua obra não será esquecida, ou seja, nunca.


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Fontes:
- Dicionário Houaiss Ilustrado (da) Música Popular Brasileira. Supervisão geral; Ricardo Cravo Albin. - Rio de Laneiro: Paracatu, 2006.
- Uma história da música popular brasileira – Das origens à modernidade, de Jairo Severiano. – São Paulo: Ed. 34, 2008.
- Coleção Folha Raízes da Música Popular Brasileira. – Herivelto Martins. Vol. 14, 2010.
- Revista MPB Compositores. – Herivelto Martins. Nº 39, 1997.
- Depoimento de Herivelto Martins ao MIS - 1968.

FHC perde a paciência: "Minha cota de Serra já deu"

Que partidinho de m... esse PSDB!

É cada um pior, e muito, que o outro!








http://www.blogdomagno.com.br/index.php?cod_pagina=89967



30/01/12


FHC perde a paciência: "Minha cota de Serra já deu"

Por Magno Martins



A minha cota de Serra deu. Ele foi duas vezes meu ministro, duas vezes candidato a presidente, candidato a governador e a prefeito. Chega, não tenho mais paciência com ele”. O desabafo do ex-presidene Fernando Henrique, segundo o jornal Correio Braziliense de ontem, foi feito a pelo menos dois interlocutores, semanas antes da famosa entrevista à revista The Economist, na qual aponta Aécio Neves como candidato natural do PSDB à campanha presidencial de 2014. Serra é pressionado pelos tucanos para ser candidato do partido à prefeitura da São Paulo, mas recusa terminantemente, com a obsessão de enfrentar Dilma novamente em 2014. Fora Serra, o PSDB não tem um nome 'decisivo' para disputar e vencer em S.Paulo.
Visão estreita - O que impacienta o PSDB não é apenas o fato de o comando do partido em São Paulo estar concentrado apenas em duas mãos. Irrita profundamente os filiados a constatação de que nem Alckmin nem Serra podem ser considerados lideranças empolgantes. O primeiro é visto como um governador provinciano e caipira. Faz questão de ligar pessoalmente para prefeitos e discutir convênios firmados pelo governo estadual. “Ele não saiu de Pindamonhangaba ainda (terra onde começou a carreira política). Quando foi deputado federal, parecia um vereador”, provocou um aliado de José Serra.

Uma operação militar de cerco e de aniquilamento

http://www.humorpolitico.com.br/wp-content/uploads/2012/01/pinheirinho-alckmin.jpg

http://cloacanews.blogspot.com/2012/01/massacre-do-pinheirinho-psdb-de-sao.html



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

 

MASSACRE DO PINHEIRINHO: PSDB DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS RECEBEU R$427 MIL DO RAMO IMOBILIÁRIO EM 2008 

 


 
Por Felipe Prestes, do portal Sul21
 
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O comitê municipal único do PSDB em São José dos Campos recebeu R$ 427 mil de doações declaradas de 22 empresas do ramo imobiliário nas eleições de 2008. O valor representa aproximadamente 20% dos R$ 2.109.475 recebidos pelo comitê. Destes mais de R$ 2 milhões do comitê, cerca de R$ 630 mil foram destinados à campanha vitoriosa do atual prefeito Eduardo Cury (PSDB).
O deputado estadual Fernando Capez (PSDB), irmão do desembargador do TJ-SP Rodrigo Capez, que coordenou a ação policial em Pinheirinho, também recebeu bastante apoio do ramo imobiliário nas eleições de 2010. Quinze empresas do ramo doaram um total de R$ 424.462,02 para a campanha de Capez, 38% de tudo o que ele arrecadou (R$ 1.114.443,90).
Pinheirinho tem área de 1,3 milhão de m² e estava ocupada por 1,6 mil famílias desde 2004. A Prefeitura de São José dos Campos obteve propostas dos governos estadual e federal para inscrever a área em projetos habitacionais sem que tivesse que pagar o valor do terreno, que pertence ao especulador Naji Nahas, mas não quis fazê-lo. Na ação de desocupação, o desembargador Rodrigo Capez esteve no local representando o TJ-SP e ordenou a continuidade das ações — mesmo que liminares da Justiça Federal colocassem um impasse jurídico, só resolvido pelo STJ no dia seguinte à reintegração de posse.

As informações foram extraídas do site do TSE. Clique nas imagens abaixo para conferir.

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http://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/2012/01/30/va-chamar-sua-presidenta/

Vá chamar sua presidenta.

Vamos chamar PAULO MALDOS para falar como vítima e testemunha. (da presidência da república)


PAULO MALDOS (Secretaria Nacional de Articulação Social)

Boa noite. Eu queria esclarecer que a minha presença naquela manha se deu devido a um acordo da Presidência da República porque entendemos que haveria um tempo de 15 dias de estudar uma solução.
Como havia este tempo, a partir daquele final de semana, iríamos trabalhar já a partir daquele momento. Trabalhavamos junto ao Prefeito, ao Governador. Eu fiquei incubido de falar com a comunidade.
Procurar as alternativas (Construir casas? Procurar terrenos?). Solucionar.
Eu vim numa missão de escuta. Tinha marcado nove da manha, mas na estrada ainda por celular soube que havia um cerco na comunidade.
Não quis acreditar por conta do pacto. Eu não entendi como poderia estar cercado militarmente aquela comunidade.
Eu cheguei e me deparei com uma situação bastante crítica. Um cerco militar com escudos escrito CHOQUE. Eu quis acessar o comando. Me dirigi até o grupo de soldados, quando cheguei até uns oito metros. E fui advertido que parasse e vi armas em minha direção. Dei a volta e fiquei a uns vinte metros de distâncias.
E conversando com a população, de repente sem mais nem menos, eu senti um ferimento, eu recebi uma bala na perna esquerda. Procurei me esconder. Esta tropa veio atacando a população.
Eu fiquei por nove horas no bairro. Sofremos ondas de ataque. Haviam cercado o Pinheirinho. Pude perceber ataques cada vez mais prolongados. Jogando bombas. Notícias de senhoras sendo espancadas.
Por volta de onze da manha, tentei acessar o comando da operação. Voltei fiquei falando com os jornalistas. Foram chamados por um grupo de oficiais. Eu tentei ir junto, mas fui barrado. Apresentei meu cartão da Presidência da República. Com Brasão. Secretaria Nacional. Ele leu e falou que eu não entrava. Ele falou você : VOCÊ VOLTA E MANDA SUA PRESIDENTA FALAR COMIGO (murmurros).
Foi um militar. Um oficial que tava de azul claro. Acho que era responsável por comunicação.
Gostaria ainda de reforçar o depoimento do David sobre a agressividade. Tentei também a GUARDA CIVIL para tentar acessar o comando da operação. A mesma coisa. Volta, volta. E apontaram armas.
Eu queria dizer o seguinte eu percebi que a PM disse que estava com armas não letais, mas a Policia Federal considera como armas menos letais. E os policiais da guarda civil estavam com armas letais. Pela minha percepção, eles estavam orientados a não realizar nenhum contato, não podiam estabelecer contato com ninguém. Eram pra atacar. Atitude de tratar todos como inimigos. Inimigos a serem dominados, ou eliminados fisicamente.
E tratou-se de um ataque com estratégia. Dois helicópteros. Claramente realizando surtos de ataques orientados de cima por helicópteros. Foi uma operação militar de cerco e de aniquilamento. Tratou-se de um ataque compacto. A presença de parlamentares, religiosos e imprensa deve ter evitado o aniquilamento. Foi muito pior do que conhecemos até agora

O que está em jogo

http://1.bp.blogspot.com/_imtObwYWljc/S-A4QlT0vMI/AAAAAAAABWg/KLmTgk6zVDQ/s1600/frank.jpg


Um novo degrau de ruptura

 
Por Saul Leblon



O conservadorismo reconhecido e não dissimulado do Financial Times deu contornos ainda mais desconcertantes a uma informação exclusiva publicada na sua edição de 6ª feira última, 27-01. Documento sigiloso do governo alemão, obtido pelo jornal, preconiza literalmente que a Grécia seja privada de sua soberania orçamentária terceirizando-se o comando financeiro do país a um diretório nomeado pela UE. Simultaneamente, o Parlamento grego seria induzido a aprovar uma lei que legitimaria a precedência do pagamento aos credores sobre qualquer outro gasto público nacional, até que se possa zerar esse passivo. Ou seja, nunca.

No estilo peremptório conhecido dos mercados, o diktat prussiano conclui que diante da insatisfatória competência de Atenas para cumprir acordo anteriores, "a Grécia tem que aceitar a cessão de sua soberania orçamentária para a administração européia por um tempo".

O desembaraço de um poder financeiro que se move a contrapelo da democracia e da soberania das Nações é conhecido. Brasil e outras nações latino-americanas viveram isso na pele nos anos 80/90. Mas exceto no Tratado de Versalhes, nunca antes havia se manifestado na Europa de forma tão desabrida como agora, quando interventores são nomeados e ajustes são impostos a elites genuflexas e Parlamentos catatônicos, que renunciam a referendos e plebiscitos para não afrontar o imperativo financeiro.

O importante a reter é a incompatibilidade entre a asfixia necessária à preservação da riqueza financeira e as necessidades sociais e salvaguardas democráticas nos dias que correm.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em entrevista e debate promovidos por Carta Maior durante o FSM, em Porto Alegre, chamou a coisa pelo nome e extraiu dela as consequências cabíveis que o jogo de faz-de-conta da mídia e de amplos círculos políticos e econômicos hesita em nomear: " A Taxa Tobin já se tornou anacrônica: a questão que está posta pela crise é o controle público de todo o sistema financeiro", disse Belluzzo.

Aqueles que subestimam a importância dos debates travados em Porto Alegre na última semana, elidem a gravidade desse divisor descortinado pelo intelectual cujo nome foi incluído entre os 100 maiores economistas dissidentes do século XX no 'Biographical Dictionary of Dissenting Economists'. Por certo não o fazem por menoscaso ao vencedor do Prêmio Juca Pato de 2005, mas, sim, por não conseguirem lidar com o fardo de uma disjuntiva histórica que os coloca ostesivamente em rota de colisão com a democracia e a civilização.

Como disse o próprio Belluzzo, na cerimonia de entrega do Juca Pato, em 2005: "O que está em jogo é o conflito entre os dois processos de universalização que se propagam desde o Iluminismo: a busca da igualdade entre os homens e os povos e a criação e acumulação da riqueza através da expansão mercantil". Não era apenas uma frase, mas a premonitória visão de um novo degrau de ruptura que agora chegou.

Dilma chega a Cuba


Dilma é recebida no aeroporto de Havana pelo chanceler Bruno Rodríguez
Foto: AFP
30.01.2012 - Dilma é recebida no aeroporto de Havana pelo chanceler Bruno Rodríguez - AFP 





Dilma chega a Cuba e é destaque de primeira página do Granma

 

André Barrocal



Havana – A visita oficial da presidenta Dilma Rousseff a Cuba foi destaque na primeira página da edição desta segunda-feira (30) do jornal Granma, órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Referindo-se a ela como “presidenta”, no feminino, como Dilma quer ser chamada mas não costuma sê-lo pela imprensa brasileira, o Granma noticiou o encontro que a presidenta terá com o “General de Exército Raúl Castro Ruz”, líder do governo cubano.

Numa página interna, traz a biografia de Dilma, com registro para a participação dela no combate à ditadura militar, os três anos em que esteve presa - sem menção a torturas - e os cargos que ocupou na prefeitura de Porto Alegre, no governo gaúcho e na gestão Lula, até ser eleita a primeira mulher presidenta do Brasil.

Dilma chegou por volta das 17h desta segunda-feira (30) a Havana, cidade que está três horas atrás do fuso oficial brasileiro (hora de Brasília). Ela pousou no aeroporto internacional que leva o nome de um grandes heróis da independência cubana, José Martí, cujo memorial Dilma visitará nesta terça-feira (31), no primeiro compromisso oficial em Cuba.

Do aeroporto até o hotel em que está hospedada com ministros e assessores, a presidenta viu pelo caminho uma série de demonstrações do nacionalismo e da propaganda ideológica que caracterizam o regime castrista, que entra no ano 54.

Próximo à saída do aeroporto, um outdoor traz uma mensagem de Raúl Castro sobre a crise econômica global: “Ante a crise econômica capitalista, não temos outra opção que não nos unirmos para enfrentá-la”.

Mais à frente, um outro outdoor diz que “as ideias são essenciais nas lutas da humanidade”, como a anunciar o jorro de ideias que se verá no caminho até a região central de Havana. “Tudo pela revolução”, diz um cartaz, apontando “estudo, trabalho e fuzil” como instrumentos do seria o “tudo”. “Pela sua pátria, devem trabalhar todos os homens”, diz um cartaz a reproduzir uma frase de José Martí. “Mulheres unidas pela pátria”, afirma um outro outdoor.

O histórico inimigo norte-americano também é alvejado durante o trajeto pelo qual se veem casas coloridas e pequenas, geralmente de dois andares, estudantes voltando para a casa com mochilas às costas, trabalhadores a esperar por ônibus antigos, como em geral é a frota automobilística cubana.

Liberdade não se pode bloquear. Aqui não há medo”, diz um velho cartaz, a pregar contra o “plano Bush”, presumivelmente uma referência aos ataques norte-americanos no Iraque e no Afeganistão.

Cinco heróis prisioneiros do império voltarão”, lê-se na parede de um restaurante, aludindo aos cubanos presos e condenados nos EUA por ajudarem a impedir ataques terroristas contra Cuba, mas que para os norte-americanos estavam espionando e preparando atentados.

A história dos “cinco heróis” está contada em português num livro lançado em 2011 pelo escritor Fernando Morais, amigo da revolução cubana. O livro será publicado ainda este ano em Cuba, nos EUA e em alguns outros países para, de acordo com o escritor, contar às pessoas “essa indecência”.

O hotel de Dilma fica próximo à embaixada americana em Havana, e os cubanos também dedicam “homenagens” à repartição diplomática do “inimigo”. Em frente ao prédio, há dezenas de mastros nos quais tremulam bandeiras cubanas.

Na chegada ao hotel, Dilma cumprimentou os jornalistas brasileiros que a esperavam no saguão, mas não deu entrevistas. Estava acompanhada dos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Alexandre Padilha (Saúde) e pelo assessor de assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

A ida da presidenta a Cuba neste momento faz parte de um plano dela de se aproximar um pouco da esquerda, segundo Carta Maior apurou. Não por acaso, a viagem foi incluída praticamente na sequência da ida dela ao Fórum Social Mundial.

No Fórum, Dilma teve uma reunião como movimentos sociais sobre a Rio+20 que, na verdade, serviu para distensionar um pouco o clima dela com aquelas entidades, ainda hoje saudosas da era Lula, quando tinham mais acesso aos ouvidos presidenciais para externas seus pontos de vista.

domingo, 29 de janeiro de 2012

'Operação Pinheirinho': custo ultrapassa R$ 100 milhões


 

http://www.ovale.com.br/nossa-regi-o/operac-o-pinheirinho-custo-ultrapassa-r-100-milh-es-1.212763


Janeiro 29, 2012

'Operação Pinheirinho': custo ultrapassa R$ 100 milhões

 

Policiais da tropa de choque durante desocupação do Pinheirinho Foto : Roosevelt Cássio/ O Vale

Carolina Teodora
São José dos Campos

A Operação Pinheirinho terá um custo final de pelo menos R$ 109,4 milhões, sendo mais de R$ 103 milhões dos cofres públicos.

O levantamento feito pelo O VALE com base em dados oficiais mostra que o maior investimento será na construção das moradias para abrigar as famílias do acampamento: R$ 88 milhões.
Até que o conjunto habitacional fique pronto, os sem-teto vão receber um ‘aluguel social’ de R$ 500 mensais que vai atingir a cifra de R$ 9 milhões em 18 meses - prazo previsto para a construção.
Somente na ação de desocupação da área foram investidos mais de R$ 5 milhões na mobilização e infraestrutura aos policiais e aluguel das máquinas para demolição das casas. No abrigo aos desalojados foram gastos cerca de R$ 3,5 milhões.

O VALE considera como operação o planejamento, desocupação, abrigo e programas habitacionais para a dar solução ao caso.
Júlio Aparecido da Rocha, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, considerou o custo alto, mas necessário.
“A minha preocupação é com a fila da habitação que será furada, mas isso é necessário”, afirmou.


 Arte - Custo da Operação Pinheirinho


Planilha. A planilha considera itens como a diária que será paga aos 850 policiais de outras cidades que participaram da ação por terem se deslocado de suas sedes.
Dona do terreno, a massa falida da Selecta gastou cerca de R$ 4 milhões com a estrutura da PM, demolição e mudança dos móveis.
A prefeitura mantém em sigilo o dinheiro empenhado para abrigar as 1.200 pessoas que estão nos abrigos. Empresas do setor estimam que esse custo varie de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões.
A prefeitura vai gastar ainda com o pagamento de horas extras a servidores.