quinta-feira, 23 de junho de 2011

A subversão pelos mercados

Mr. Market numa de suas atividades preferidas

Quinta-Feira, 23 de Junho de 2011

GUERRA FINANCEIRA CONTRA A DEMOCRACIA
 
"Instrumentalizada pelo setor financeiro, a ortodoxia considera natural canalizar ganhos de produtividade para as finanças e os monopólios ao invés de elevar salários e padrões de vida. Lobistas neoliberais e seus  mascotes acadêmicos rejeitam a partilha dos ganhos de produtividade com o trabalho como sendo improdutivo e incompatível com a  "criação de riqueza" na acepção financeira. Está em debate não só se dívidas à banca deveriam ser pagas com a sua transferência para o setor público em detrimento dos contribuintes, mas também se elas podem razoavelmente ser pagas. Se não puderem, tentar pagá-las contrairá as economias ainda mais, tornando-as crescentemente inviáveis. Muitos países já ultrapassaram este limite financeiro. O que está em questão agora é um passo político - trata-se de saber se há um limite para os credores sujeitarem a sociedade ao pagamento de juros (...) sem cortar drasticamente despesas públicas com educação, saúde e outros serviços básicos.  É acerca disso a guerra financeira de hoje. E é isso que os gregos reunidos na Praça Sintagma estão dizendo" (Michael Hudson)



São Paulo, quinta-feira, 23 de junho de 2011


A subversão pelos mercados

CLÓVIS ROSSI


Os tais mercados estão subvertendo a ordem pública e a democracia, sem que se arrisquem a ir para a cadeia.
O caso da Espanha talvez seja o mais emblemático, embora esteja longe de ser o único. O FMI (Fundo Monetário Internacional) acaba de divulgar um relatório sobre a economia espanhola em que festeja o fato de que as medidas de austeridade adotadas pelo governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero "ajudaram a fortalecer a confiança do mercado".
Na minha santa inocência, eu achava que governos eram feitos para fortalecer a confiança do público, não a dos mercados.
O que pensa o público espanhol do governo que tanto agrada aos mercados? Rejeita-o tanto que lhe impôs, faz um mês, a mais contundente derrota da história dos socialistas em eleições municipais. Prólogo inevitável de idêntica tunda nas eleições gerais de 2012.
Essa dissociação governos/eleitores é geral na Europa, sempre por conta de que os governos se renderam aos mercados, depois de terem socorrido o sistema financeiro quando havia risco de um colapso geral, há três anos.
Não pense que é tema alheio à realidade brasileira. O Banco Central sempre faz saber que parte dos motivos para a alta dos juros -que mordem seus débitos, sua conta de cartão de crédito etc- é a turbulência na economia internacional, na Europa em particular.
Além desse efeito direto, há o fato de que o Brasil já passou por um, digamos, "golpe de mercado" em 2002, quando houve tremenda especulação ante a perspectiva de vitória de Lula.
O que, de resto, forçou o petista a adotar políticas sem nenhum parentesco com tudo o que ele e o partido haviam pregado nos 20 anos anteriores. OK, a guinada deu certo e quase todo o mundo está feliz. Mas a crise de 2008 demonstra que nada é para sempre.
 
São Paulo, quinta-feira, 23 de junho de 2011

ONU critica planos de austeridade na Grécia e na Espanha

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS - A ONU (Organização das Nações Unidas) lançou ontem um alerta para os riscos das políticas de austeridade que vêm sendo implementadas em países como a Espanha e a Grécia.
Segundo um informe do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, tais medidas, adotadas diante de um excessivo endividamento público, "não ameaçam apenas o emprego no setor público e os gastos sociais, mas também tornam a recuperação econômica mais frágil e incerta".
Para o organismo, os governos devem reagir "com prudência" para não arriscar a recuperação da economia e o crescimento a longo prazo nem comprometer as políticas sociais em áreas como a saúde e a educação.

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