terça-feira, 31 de maio de 2011

Francesa se especializa em narrar memórias das 'pessoas comuns'

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31/05/2011 

Sua vida dá um livro? Francesa se especializa em narrar memórias das 'pessoas comuns'

Luiza Duarte | Paris

Contar histórias de pessoas comuns por encomenda foi a solução encontrada pela jovem escritora francesa Sarah Herbeth para obter algum retorno financeiro com sua formação em Letras. Ela passou a transformar memórias pessoais de anônimos e segredos de família em livros.

Segundo Sarah, de apenas 29 anos e residente em Paris, não é preciso ser uma celebridade para eternizar em uma biografia cada detalhe de sua existência. Ao contrário, a maior parte das pessoas que a procura são pessoas idosas, em sua maior parte, mulheres.

“Eu conheço muitos idosos que têm um diário. Meu avô já fazia isso”, conta. Por impossibilidade ou conveniência, alguns preferem que alguém escreva por eles. “Eu quero apenas ser uma porta-voz”, garante Sarah.

Primeiras linhas

“Tudo começou quando eu terminei meus estudos em Letras, há três anos. Quando você tem um diploma como esse na França, é impossível encontrar trabalho”, lamenta a parisiense. Foi trabalhando como acompanhante de idosos e convivendo com sua avó em um asilo que ela encontrou suas primeiras “clientes”. “As histórias que eu ouvia ... ficava me perguntando se haveria uma forma de guardá-las”, confessa.

Luiza Duarte
 
Sarah, que por pouco não se tornou historiadora, ainda está começando, mas pretende se dedicar integralmente à nova ocupação. “É uma profissão que não existe e é muito difícil encontrar clientes”.

No entanto, o interesse dos franceses pelas histórias de suas famílias pode ser medido pela quantidade de sites que propõem árvores genealógicas, bases de dados sobre pessoas e sobrenomes, além da disponibilização online de registros de estado civil.

Ela concorda que exista algo de cultural nessa demanda. Entretanto, Sarah considera que há outras duas razões para tanto interesse em levar pessoas a quererem preservar suas memórias: um medo universal do esquecimento e a preocupação com a transmissão de saberes.

“Toda pessoa quando é confrontada a uma morte próxima sente necessidade de consertar certas coisas e contar o que passou. É uma reação natural diante de uma angústia existencial”, acredita. No processo de reconstituição do passado de seus clientes, Sarah recolhe segredos e desvenda mistérios.

Muitos querem dar seu testemunho e acertar contas em complicados casos de família”. Alguns biografados querem que os envolvidos só tenham acesso ao conteúdo após suas mortes. Ela se compromete a não tornar público os textos e a confiá-los apenas às pessoas indicadas.

Vida em capítulos

Cada biografia tem de 50 a 150 páginas. Após uma dezena de encontros e muitas horas de gravação, começa a etapa de transcrição. “Relato tudo em primeira pessoa, respeitando a ordem cronológica, mas adaptando a vontade da pessoa de dedicar mais tempo à infância, adolescência ou vida adulta”, revela.

Luiza Duarte

                        Sarah classifica a si mesma como a 'pluma dos anônimos'.

Ela reestrutura o que escuta, mas garante não ter pretensões literárias. “Eu não quero trair a linguagem e a oralidade da pessoa. Quero que, quando seus filhos lerem, tenham a impressão de que tivesse sido feito por suas avós ou mães. Sou muito fiel às expressões e vícios de linguagem”, precisa.

Além do texto, podem ser acrescentados documentos, fotos, árvore genealógica, citações de livros ou extratos de jornais. Geralmente, o livro final, impresso em dois exemplares, é um presente encomendado por filhos e netos.

As confidências custam 25 euros por página. Em média, é preciso contar 2.500 euros para ter sua própria biografia.

Outro aspecto interessante de suas obras é que, através da trajetória de vida das pessoas que pediram seus serviços, é a possibilidade também de revelar pequenas frações da história da capital francesa.

Homens, por Fernanda Montenegro

Meninaaaaaas! Meninaaaaas!

Aprendam! É isto aí mesmo!

Fernanda Montenegro é demais! Não é à-toa que sou fã de carteirinha dela.



http://tirinhasfemininas.blogspot.com/2011/05/homens-por-fernanda-montenegro.html

 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

 

HOMENS

 

Por Fernanda Montenegro

 

O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.
Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento.Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro.Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA.
Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantêm viçosos, felizes e realizados durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca...
Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.
Se você quer ter a dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.

4. Respeite a natureza

Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros?
Case-se com uma Mulher.
Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings.
Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.

6. Cérebro masculino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino, mas não gostam de mulheres burras.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos!).
Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração.
Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade.
Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você.
Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens.
Não faça sombra sobre ele...
Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás.
Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios.
Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.

E Minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!
Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!
Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.
                
Com carinho,
F. M.

A maconha do FHC é chique




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PSDB espanca “maconheiros” na rua e “alisa” na TV


Por Eduardo Guimarães



No domingo, no Fantástico, da TV Globo, foi ao ar reportagem em que o principal líder político do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defende que usuários de maconha possam plantar a erva em casa e, também, que a lei deixe de penalizar o usuário da droga.

Enquanto isso, em São Paulo, o governo mais importante comandado pelo PSDB, através da polícia sobre a qual exerce controle absoluto, reprime com violência jovens que foram às ruas defender aquilo que o mesmo partido defende na TV pela boca dele, do tal líder político.

Segundo a Polícia, o governo e a Justiça de São Paulo, os garotos que foram à rua defender o que defende Fernando Henrique Cardoso teriam feito “apologia” à maconha. Resta saber quem fez tal “apologia” para mais gente, se os jovens na rua  ou FHC na televisão.

Diante dessa situação esquizofrênica desse partido reacionário e violento nas ruas e gentil e progressista na mídia, surge uma questão que deve interessar ao menos aos partidários das teorias pró-maconha: não dá pra trocar o comportamento do PSDB das ruas com o da TV?

A suprema negação do direito

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 Terça-feira, 31 de Maio de 2011

 

CASO CESARE BATTISTI

A suprema negação do direito


Por Dalmo de Abreu Dallari 

Nos próximos dias deverá estar de novo na pauta do Supremo Tribunal Federal, e desta vez absurdamente, o caso do italiano Cesare Battisti, cuja extradição foi pedida pelo governo italiano. Não é difícil demonstrar o absurdo dessa inclusão na pauta de decisões, de uma questão que não depende de qualquer decisão judicial, mas apenas de uma providência administrativa.
De fato, como já foi amplamente noticiado, o Supremo Tribunal Federal já tomou sua decisão sobre o pedido de extradição de Cesare Battisti, na parte que lhe competia, julgando atendidas as formalidades legais e deixando expresso seu reconhecimento de que a decisão final seria do presidente da República. E este proferiu sua decisão em 31 de dezembro de 2010, negando atendimento ao pedido de extradição, em decisão solidamente fundamentada e juridicamente inatácavel.
Entretanto, Cesare Battisti continua preso, sem qualquer fundamento legal, e foi para fazer cessar essa ilegalidade que seus advogados pediram formalmente ao Supremo Tribunal Federal a soltura de Battisti.
Erro primário
É oportuno lembrar que quando recebeu o processo com o pedido de extradição de Battisti, o ministro Gilmar Mendes determinou sua prisão preventiva, para ter a garantia de que, se fosse concedida a extradição - que na realidade já foi legalmente negada em última instância – ele pudesse ser entregue ao governo italiano.
Decidida regularmente a negação da extradição, o que se tornou público e notório no dia 1º de janeiro de 2011, deveria ter sido determinada imediatamente a libertação de Battisti, pois não havia outro fundamento legal para mantê-lo preso a não ser a expectativa de extradição, o que deixou de existir desde que conhecida a decisão presidencial.
O que está evidente é que, por alguma razão que nada tem de jurídica, quem deveria determinar a libertação de Battisti não se conforma com esse desfecho do caso e tenta, por meio de artifícios jurídicos, retardar quanto possível essa providência, que é um imperativo legal.
No conjunto das arbitrariedades usadas para impedir a libertação de Battisti, há poucos dias ocorreu no Supremo Tribunal Federal um estranho erro. O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, estava no exterior e por isso o pedido de soltura de Battisti, que deveria ser decidido pelo relator, foi distribuído, pelo critério de antiguidade no Supremo, ao ministro que deveria ser o seu sucessor no recebimento do pedido, observado o critério de antiguidade naquela Corte.
Supõe-se que não haja qualquer dificuldade para que os servidores do tribunal saibam qual a ordem de antiguidade dos ministros, que são apenas onze. Entretanto, ocorreu um erro primário na verificação de qual ministro seria o sucessor de Gilmar Mendes pelo critério de antigüidade. E o processo foi distribuído para um substituto errado, tendo ficado sem decisão o pedido porque foi “percebido o erro” e o processo foi afinal remetido ao telator depois de sua volta.
Sem fundamento
O que se espera agora é que não ocorra outro erro e que o Supremo Tribunal Federal se oriente por critérios jurídicos, fazendo cessar uma prisão absolutamente ilegal, que ofende os princípios e as normas da Constituição brasileira, além de afrontar os compromissos internacionais do Brasil, de respeito aos direitos fundamentais e à dignidade da pessoa humana.
Espera-se que o Supremo Tribunal Federal cumpra sua obrigação constitucional precípua, de guarda da Constituição, o que, além de ser um dever jurídico, é absolutamente necessário para preservação de sua autoridade, bem como para afastar a possibilidade de que advogados chicaneiros invoquem como exemplo, para justificar o uso de artifícios protelatórios, o comportamento de integrantes do próprio Supremo Tribunal.
Manter preso Cesare Battisti, sem que haja qualquer fundamento legal, é uma afronta ao Direito e à Justiça, incompatível com as responsabilidades éticas e jurídicas do mais alto tribunal do país.
 
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Caso Battisti: Advocacia-geral da União descarta tensão diplomática com a Itália


30/5/2011 12:19,  Por Redação - de Brasília
Battisti Luiz Inácio Adams avaliou o tratado com a Itália

Advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams descartou, nesta segunda-feira, a possibilidade de qualquer tensão diplomática entre o Brasil e a Itália por conta do impasse sobre o caso Cesare Battisti, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no próximo dia 8. Adams disse que em toda relação entre duas nações pode haver tensões, mas descartou que esse caso tenha gerado uma “crise diplomática”. Adams acrescentou que, tanto o Brasil como a Itália, país que, em sua opinião, tem atuado de forma legítima no processo, respeitaram as decisões internas sobre Battisti.
Para o ministro, “o caso Battisti adquiriu uma dimensão exagerada” e houve um clamor muito forte contra a concessão de refúgio ao italiano, o que automaticamente impediu sua extradição à Itália. Cesare Battisti é ex-militante do grupo de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ele foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970. Preso no Brasil em 2007, dois anos depois o italiano recebeu o status de refugiado político do ex-ministro da Justiça Tarso Genro.
O processo foi julgado em 2009 pelo STF, que aprovou a extradição de Battisti, mas decidiu que a resposta final caberia ao presidente. Em seu último dia de mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu manter Battisti no Brasil, aceitando um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU). O governo italiano questionou a legalidade do gesto do presidente, com base nos tratados bilaterais. Agora, o STF irá julgar se a decisão de Lula é válida.
Adams acredita que, se o STF mantiver a decisão de Lula de não extraditar Battisti, o italiano será “liberado imediatamente, em 24 horas”. Segundo ele, a ordem de soltura pode ser emitida no próprio plenário pelo relator do processo, Gilmar Mendes. O advogado-geral da União também justificou a recomendação da AGU favorável à manutenção do italiano no Brasil. De acordo com Adams, a instância analisou o tratado bilateral de extradição assinado entre os dois países e considerou que desautorizar a extradição de Battisti não infringia os acordos bilaterais.
“O Estado requerido (no caso, o Brasil) pode fazer o julgamento hipotético de que a extradição pode gerar perseguição, agravamento da situação dele por razões políticas, religiosas e pessoais” e, nestes casos, o tratado permite a não extradição. Ainda segundo Adams, “não que dizer que na Itália não existe o devido processo legal” para manter Battisti na prisão, mas o “presidente da República exerceu esse julgamento”.

Quais são as vidas que valem mais?

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Terça-Feira, 31 de Maio de 2011

Quais são as vidas que valem mais?


Larissa Ramina (*)

Por ocasião do assassinato de Bin Laden, muitas declarações de autoridades ao redor do globo atestaram que a justiça fora feita. Evidente inverdade. Não se trata de defender o terrorismo, a Al Qaeda ou o próprio Bin Laden. Por óbvio, ninguém poderá ser insensível à tragédia de 11 de setembro, nem tampouco desejar que os culpados não sejam julgados e condenados. Entretanto, para condenar é necessário julgar.

Não é possível falar em justiça quando um homem é assassinado por um comando em um país estrangeiro ao seu, ainda que seja um terrorista do calibre de Bin Laden. Trata-se da aplicação da Lei de Talião: olho por olho, dente por dente, ou em outras palavras, vingança. Ao contrário da justiça, a vingança não impõe uma investigação que confronte os fatos, a produção de provas, o trabalho de advogados e promotores, com respeito ao princípio da legalidade, da ampla defesa e do contraditório. A vingança não exige uma condenação com circunstâncias atenuantes ou agravantes, e uma pena dela resultante. Assassinar um terrorista não é, portanto, fazer justiça. É assassinato. Podemos ponderar que mesmo o julgamento de Nuremberg seria mais legítimo do que a morte de Bin Laden.

A operação norte-americana que assassinou o terrorista em Abbottabad faz lembrar a tentativa de resgate dos reféns da Embaixada dos EUA em Teerã, por ocasião da Revolução Islâmica comandada pelo Aiatolá Khomeini em 1979. Jimmy Carter, na época, orquestrou uma operação militar audaciosa que foi mal-sucedida, fazendo com que perdesse a reeleição para Ronald Reagan. Provavelmente Obama não amargará sorte semelhante, apesar de ter violado a soberania do Paquistão e princípios fundamentais do direito internacional e dos direitos humanos.

Poucos dias depois da operação em Abbottabad, a Sérvia anunciou a prisão de Radko Mladic, que será levado a julgamento perante o Tribunal Penal Internacional sediado em Haia. Provavelmente a localização de Bin Laden fez com que a Sérvia, que pretende abrir caminho para uma futura adesão à União Europeia, perdesse argumentos para continuar acobertando o “Açougueiro da Bósnia” ou o “Átila dos Balcãs”.

Mladic é responsabilizado pelo massacre de Srebrenica de julho de 1995, o pior extermínio étnico perpetrado em solo europeu após a 2ª Guerra Mundial. Oito mil homens e meninos bósnios-muçulmanos foram exterminados num campo de refugiados sob proteção de trezentos soldados das Nações Unidas. Falha inexplicável, agravada pela lentidão da reação ocidental, que veio somente após três dias de matança.

Nesse mesmo dia, foi anunciada a prisão no Congo de Bernard Munyagishari, líder da milícia hutu Interahamwe e um dos responsáveis pelo genocídio de Ruanda, em 1994. Na ocasião, oitocentos mil tutsis e hutus moderados foram assassinados, e milhares de mulheres tutsis foram estupradas sob os olhos inertes da comunidade internacional. O acusado será julgado no Tribunal Penal Internacional para a Ruanda, com sede na Tanzânia, mas a notícia não mereceu a devida atenção da mídia ocidental.

Quais são as razões para tratamentos tão diferentes? Bin Laden provocou a morte de cerca de duas mil e seiscentas pessoas em solo norte-americano, audácia que foi punida com seu assassinato. Mladic ordenou a morte de oito mil europeus brancos, será julgado no Tribunal Penal Internacional, e sua captura foi festejada no Ocidente como o fim do isolamento internacional da Sérvia. Munyagishari, um dos líderes do genocídio na Ruanda, levou a cabo a execução de oitocentos mil negros africanos, numa das mais tristes tragédias do século XX. De sua captura nem se ouviu falar. Atentados no solo da potência hegemônica, genocídio de brancos na Europa e genocídio de negros na África são crimes muito diferentes? Quais são as vidas que valem mais?

(*) Doutora em Direito Internacional pela USP, Professora da UniBrasil e do UniCuritiba.

OMS anuncia que celular pode aumentar risco de câncer

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UOL, 31/05/2011 

OMS anuncia que celular pode aumentar risco de câncer


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
 
A radiação de telefones celulares pode causar câncer, anunciou a OMS (Organização Mundial de Saúde) nesta terça-feira. A agência lista o uso do telefone móvel como "possivelmente cancerígeno", mesma categoria do chumbo, escapamento de motor de carro e clorofórmio. A informação foi publicada no site CNN Health.
Antes do anúncio de hoje, a OMS havia garantido aos consumidores que a radiação não tinha sido relacionada a nenhum efeito nocivo à saúde.

Uma equipe de 31 cientistas de 14 países, incluindo Estados Unidos, tomou a decisão depois de analisar estudos revisados por especialistas sobre a segurança de telefones celulares.
A equipe encontrou provas suficientes para classificar a exposição pessoal como "possivelmente cancerígena para os seres humanos."
Isto significa que não existem estudos suficientes a longo prazo para concluir se a radiação dos telefones celulares é segura, mas há dados suficientes que mostram uma possível conexão, e que os consumidores devem ser alertados.
O tipo de radiação que sai de um telefone celular é chamado de não-ionizante. Não é como um raio-X, mas mais como um forno de micro-ondas de baixa potência.
"O que a radiação do micro-ondas faz, em termos mais simples, é semelhante ao que acontece aos alimentos no micro-ondas: cozinha o cérebro", disse Keith Black ao site da CNN, neurologista do Centro Médico Cedars-Sinai, em Lós Angeles.
A OMS classifica os fatores do ambiente em quatro grupos: cancerígenos --ou causadores de câncer-- para o homem; possivelmente cancerígeno para os seres humanos; não classificados quanto ao risco de câncer para o homem; e provavelmente não cancerígeno para os seres humanos.
O tabaco e o amianto estão na categoria "cancerígeno para os seres humanos". Chumbo, escapamento do carro e clorofórmio estão listados como "possivelmente cancerígeno para os seres humanos".
O anúncio foi feito do escritório da OMS em Lyon, na França, após o número crescente de pedidos de cautela sobre o risco potencial da radiação do celular.
A Agência Europeia do Ambiente pediu mais estudos, dizendo que os telefones celulares podem ser tão nocivos para a saúde pública quanto o tabagismo, o amianto e a gasolina.
O líder de um instituto de pesquisa do câncer da Universidade de Pittsburgh enviou um memorando a todos os funcionários, pedindo a diminuição do uso do celular por causa de um possível risco de câncer.
A indústria de telefonia celular afirma que não há provas conclusivas de que a radiação dos aparelhos cause impacto sobre a saúde dos usuários.
O anúncio de hoje pode ser um divisor de águas para as normas de segurança. Os governos costumam usar a lista da Organização Mundial de classificação de risco cancerígeno como orientação para as recomendações de regulamentação ou ações.

Protesto contra a parceria do Min. da Saúde com McDonald's

Como havia dito, só entro numa loja do McDonald's para usar o mictório.



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Manifestação contra a parceria do Ministério da Saúde com McDonald's no programa "Amigos da Saúde"

Postado por Daniela Silva Canella em 31 maio 2011


Carta Aberta dos Professores Carlos Augusto Monteiro, César Gomes Victora e Malaquias Batista Filho ao Sr. Ministro da Saúde Alexandre Rocha Santos Padilha.

Senhor Ministro Alexandre Rocha Santos Padilha, acabamos de tomar conhecimento do envolvimento do Ministério da Saúde em campanha publicitária da rede de lanchonetes da empresa McDonald’s no Brasil.
A nosso ver, este envolvimento não se coaduna com o histórico do Ministério da Saúde na promoção da segurança alimentar e nutricional da população brasileira e com a elogiável prioridade que sua gestão tem consignado para a promoção da alimentação saudável e para o controle das doenças crônicas não transmissíveis.
A campanha da rede McDonald’s, à semelhança de outras estratégias de marketing empregadas pela mesma empresa, é extremamente nociva, em particular para crianças e adolescentes, que são o público alvo daquela rede.
Estamos nos referindo especificamente ao uso nas lojas da rede McDonald’s de toalhas de bandeja que reproduzem, lado a lado, material educativo elaborado pelo Ministério da Saúde e publicidade dos produtos comercializados pela rede.
Como o senhor poderá facilmente verificar, em um dos lados da toalha há mensagens que exaltam a importância para a saúde da prática de atividade física, da ingestão de água, do sono, da proteção contra a exposição excessiva ao sol e da alimentação saudável. Junto a essas mensagens, são mostrados o símbolo da empresa e seu slogan ‘amo muito tudo isso’, o website e o Disque-Saúde do Ministério da Saúde e a referência ao Ministério como fonte das mensagens educativas.
No verso da toalha, há a reprodução do cardápio dos produtos oferecidos pela rede – sanduíches, batatas fritas, saladas, molhos, bebidas e sobremesas – com informações (em letras miúdas) sobre sua composição nutricional. Essas informações são encimadas pela frase ‘Veja aqui os componentes nutricionais da sua refeição’.  Abaixo do cardápio, há um quadro com o título: ‘Veja algumas informações nutricionais interessantes’. Neste quadro apresenta-se a composição nutricional do que, para a rede McDonald’s, seriam ‘outros alimentos do seu dia a dia’. Esses alimentos incluem ‘coxinha’, ‘empadinha’, ‘pastel’, ‘pizza’ e ‘feijoada tradicional’.
É ocioso notar que o objetivo dessa campanha da rede McDonald’s é associar o consumo dos produtos que ela comercializa a comportamentos saudáveis e a induzir o consumidor a pensar que esses produtos deveriam ou poderiam ser consumidos frequentemente (‘alimentos do dia a dia’) e a negar que eles pudessem ser menos saudáveis do que alimentos tradicionais da dieta brasileira. Ainda mais ociosa é a constatação de que a inscrição dos símbolos do Ministério da Saúde no material publicitário da empresa legitima a campanha e aumenta em muito sua eficácia.
Senhor Ministro, a própria composição nutricional do cardápio da rede Mcdonald’s, descrita nas toalhas, revela quão enganosa é esta campanha publicitária. Por exemplo, a ingestão de um Big Mac (que não é o maior dos sanduíches oferecidos no cardápio) acompanhada de uma porção média de batatas fritas, de um copo médio de refrigerante e de uma porção pequena do sorvete com calda da rede fornece dois terços do total de calorias que um adulto poderia consumir ao longo de todo o dia e praticamente todas as calorias diárias necessárias para uma criança. Se a opção for pelo sanduíche Big Tasty e por porções grandes dos acompanhamentos e sobremesa, as calorias ingeridas em uma única refeição alcançam o limite superior estabelecido para um adulto em todas as refeições do dia. A situação fica ainda mais grave se o cálculo da composição nutricional envolver a ingestão de nutrientes que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outras graves doenças crônicas. Por exemplo, o consumo de um único Big Tasty corresponde, segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde adotadas pela ANVISA, a 63% de todo o sódio que o indivíduo poderia ingerir por dia e a 109% da ingestão diária máxima de gorduras saturadas.
Como certamente é do seu conhecimento, as pesquisas de orçamentos familiares do IBGE vêm mostrando que alimentos tradicionais e saudáveis da dieta brasileira, como a mistura arroz e feijão, vem sendo crescentemente substituídos por bebidas e alimentos ultra-processados, que são densamente calóricos e têm conteúdo excessivo de gordura saturada, açúcar e sódio como a imensa maioria dos produtos comercializados pela rede McDonald’s.
Senhor Ministro, essas mudanças no padrão alimentar da população brasileira colocam em risco importantes avanços obtidos pela Saúde Pública brasileira nas últimas décadas. O aumento epidêmico da obesidade é a expressão mais dramática das consequências do crescimento do consumo de alimentos ultra-processados. Na mais recente pesquisa do IBGE, realizada em 2008-2009 com a colaboração do Ministério da Saúde, constatou-se que apresentavam peso excessivo metade dos adultos brasileiros, um em cada cinco adolescentes e uma em cada três crianças de5 a9 anos de idade. Dados do sistema VIGITEL, operado pelo próprio Ministério da Saúde nas capitais de todos estados brasileiros e no Distrito Federal, indicam que, se nada for feito, em cerca de doze anos alcançaremos a situação calamitosa enfrentada pelos Estados Unidos, onde dois terços da população adulta têm excesso de peso.
Senhor Ministro, diante dos fatos brevemente relatados nesta carta e conhecedores do seu compromisso com a Saúde Pública, pedimos-lhe que ordene a imediata desvinculação das marcas, programas e imagem do Ministério da Saúde do Brasil da marca, produtos e campanhas da empresa McDonald’s.

30 de Maio de 2011
 
Carlos Augusto Monteiro
César Gomes Victora
Malaquias Batista Filho
Professor Titular da Universidade de São Paulo e Membro da Academia Brasileira de Ciências
Professor Emérito da Universidade Federal de Pelotas e membro da Academia Brasileira de Ciências
Professor Emérito da Universidade Federal de Pernambuco e Membro do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O material nuclear abandonado do Cazaquistão

http://www2.mre.gov.br/doma/imagens/cazaquistao_mapa.jpg



São Paulo, segunda-feira, 30 de maio de 2011


Sítio nuclear soviético sob proteção dos americanos

Por ELLEN BARRY

KURCHATOV, Cazaquistão - Duas décadas depois da queda da União Soviética, e de dezenas de milhares de soldados terem abandonado seus postos neste sítio remoto no nordeste do Cazaquistão, as pegadas de outra grande potência - os EUA - estão cada vez mais visíveis.
O Departamento de Defesa dos EUA vem pagando por aeronaves não tripuladas e detectores de movimentos para localizar intrusos e evitar o furto do que os soviéticos deixaram para trás em áreas de terra e no labirinto de túneis que usavam para realizar testes atômicos: entre outras coisas, plutônio e urânio altamente enriquecidos que poderiam ser usados na fabricação de um artefato nuclear improvisado.
A Rússia está, com alguma hesitação, compartilhando materiais de arquivo sobre testes feitos na era soviética, e os EUA estão pagando para retirar materiais que poderiam ser usados na produção de armas ou para armazenar os materiais em segurança. O Cazaquistão está fornecendo a mão de obra, mas, pelo fato de não ser uma potência nuclear, suas autoridades são proibidas de saber exatamente o que é que estão protegendo.
"As pessoas me perguntam se estamos fazendo a coisa certa ao fechar o acesso aos túneis", disse Kairat K. Kadyrzhanov, diretor-geral do Centro Nuclear Nacional do Cazaquistão. "E eu digo que não sei o que há ali e não tenho o direito de saber."

Em 1948, na corrida para romper o monopólio americano sobre as armas nucleares, a União Soviética escolheu essa área para testar suas próprias armas.
Com a queda da União Soviética, entre 20 mil e 30 mil soldados se retiraram de suas posições, deixando 500 soldados cazaques vigiando o sítio, contou Kadyrzhanov. Desde então, o sítio de testes - ou os materiais físseis deixados no local-  vem sendo motivo de preocupação para os EUA. Em 2003, autoridades cazaques contaram a um repórter da revista "Science" sobre a chamada Operação Marmota, na qual a terra contaminada por plutônio foi pavimentada com uma camada de dois metros de espessura de concreto reforçado com aço.
Telegramas divulgados pelo WikiLeaks, no ano passado, descrevem um esforço urgente para "impedir que materiais residuais nucleares caiam em mãos de terroristas", como disse um alto funcionário da Defesa em 2009.
Segundo o Instituto de Segurança de Radiação e Ecologia do Cazaquistão, depois de serem proibidos os testes sobre a superfície, os soviéticos detonaram 295 artefatos em 181 túneis sob os Montes Degelen. Cada explosão consumiu entre 1% e 30% do material físsil do artefato, deixando o combustível remanescente misturado com escombros e rochas derretidas no subsolo.

Depois da posse de Obama, os americanos pediram que o ritmo dos trabalhos fosse multiplicado por cinco, segundo Kadyrzhanov. De acordo com ele, a Rússia, que durante anos se recusou a compartilhar documentos soviéticos sobre o sítio, vem cooperando mais. "O perigo de a Rússia ocultar algo se reduziu", disse. Com o colapso soviético, as atividades no sítio terminaram de modo tão repentino que um artefato nuclear que tinha sido colocado em um túnel, sendo preparado para um teste, ficou no local, sem ser explodido, até 1995, quando técnicos conseguiram destruí-lo sem criar uma reação nuclear, de acordo com o Centro Nuclear Nacional. Enquanto isso, o sítio enorme estava desprotegido, e ladrões vasculhavam os túneis em busca de cabos de cobre que pudessem ser vendidos a comerciantes chineses. Inicialmente, o problema parecia ser administrável. Em 1999, o senador Richard Lugar, republicano do Indiana, anunciou que o esforço financiado pelos EUA estava fechando definitivamente o último dos túneis. Mas ladrões locais usaram máquinas de terraplanagem e explosivos para reabrir os túneis. Em 2004, segundo o Centro Nuclear Nacional, 110 dos 181 túneis selados já tinham sido reabertos.

O esforço que teve início depois disso foi mais caro, mais urgente e mais sigiloso, em parte porque, depois do 11 de setembro de 2001, temia-se que materiais radioativos pudessem ser utilizados para a fabricação de bombas sujas. Em 2009, as autoridades americanas intensificaram a pressão sobre suas parceiras cazaques para que terminassem de selar os túneis no prazo de dois anos. Kadyrzhanov disse que as cavidades estão sendo preenchidas com concreto que absorve resíduos de plutônio, de modo que "é mais fácil produzir plutônio a partir do zero em uma usina nuclear" do que extrair o material. Se, disse Kadyrzhanov, algum político irresponsável tornar-se presidente do Cazaquistão e disser "'quero extrair plutônio daqui', ele teria um trabalho muito árduo pela frente. Estamos fechando o sítio de tal maneira que será praticamente impossível para gerações futuras extraírem o plutônio."

A imagem limpa do gás natural poder ser falsa

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São Paulo, segunda-feira, 30 de maio de 2011

A imagem limpa do gás natural talvez seja falsa

Por TOM ZELLER Jr.

O gás natural, com sua reputação de elemento fundamental no esforço para libertar os EUA dos combustíveis fósseis e reduzir o aquecimento global, talvez não seja tão limpo quanto dizem seus defensores.
Enquanto a produção de gás natural aumenta, e Washington a apoia como componente crucial do futuro energético do país, dois estudos ainda não divulgados sugerem que a corrida para desenvolver vastos depósitos desse recurso, provavelmente, fará mais para aquecer o planeta do que a mineração e a queima de carvão.
O metano, principal componente do gás natural, aquece o planeta e está escapando para a atmosfera em volume muito maior do que se pensava anteriormente, com até 7,9% dele vazando dos poços de gases de xisto, intencionalmente liberados ou queimados, ou de tubos frouxos localizados ao longo das linhas de distribuição de gás, segundo sugerem diversos estudos.
Isso contrabalança a principal vantagem do gás natural: ele libera menores emissões de dióxido de carbono do que outros combustíveis fósseis.
"O velho dogma de que o gás natural é melhor do que o carvão em termos de emissões de gases do efeito estufa é muito repetido sem qualificação", disse Robert Howarth, professor de ecologia e biologia ambiental na Universidade Cornell em Ithaca, Nova York, e principal autor de um dos estudos. "Antes que os governos e a indústria promovam o desenvolvimento do gás, deveríamos, no mínimo, fazer um trabalho melhor de medições."

Mark D. Whitley, vice-presidente sênior de engenharia e tecnologia da Range Resources, uma companhia perfuradora de gás, disse que as perdas sugeridas pelo estudo de Howarth são simplesmente altas demais.
"Esses números são enormes", ele disse. "É absurdo pensar que a indústria deixaria trilhões de pés cúbicos de gás escaparem. Esse não é o nosso negócio."

O gás natural já é a principal fonte de calor para a metade das residências americanas. Mas o desenvolvimento de novas formas de utilizar as reservas significa que a produção aumentará.
A capacidade de extrair o gás natural de formações antes inacessíveis no subsolo profundo disponibilizou volume enorme dele em amplas áreas do país.
Essa produção inconvencional de gás representa quase 25% da produção total dos EUA, segundo os últimos números do Departamento de Informação sobre Energia. Ela deverá alcançar 45% até 2035.
A limpeza do gás natural se baseia em suas emissões menores de dióxido de carbono quando queimado. Ele emite a metade da quantidade do carvão e cerca de 30% menos do óleo diesel.
Menos claras, pois ninguém se incomodou em observar, são as emissões em todo o seu ciclo de produção - desde o momento em que um poço é perfurado até o ponto de utilização.

Os vazamentos de metano têm sido uma antiga preocupação, já que, embora esse gás se dissipe na atmosfera mais rapidamente do que o dióxido de carbono, ele é considerado muito mais eficiente para reter o calor.

Um estudo recente do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa sugeriu que uma interação do metano com certas partículas de aerossol amplia os já potentes efeitos estufa do gás.
Quando tudo é computado, Howarth e seus colegas concluíram que a pegada do gás de xisto para o efeito estufa pode ser até 20% maior, talvez até mesmo o dobro, do que a do carvão por unidade de energia.
David Hughes, um geocientista do Post Carbon Institute, organização de pesquisa do clima e da energia na Califórnia, usou os cálculos de Howarth e concluiu que substituir o carvão por gás na produção de eletricidade básica vai agravar as emissões de gases do efeito estufa. Um relatório de janeiro da organização jornalística sem fins lucrativos ProPublica notou que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA duplicou suas estimativas do metano que vaza nas linhas de distribuição de gás natural.
Chris Tucker, porta-voz da "Energy in Depth", uma coalizão de produtores independentes de petróleo e gás natural, desmentiu Howarth como um adversário do fraturamento hidráulico, ou "fracking", uma prática associada ao desenvolvimento inconvencional de gás que envolve a injeção em alta pressão de água, areia e substâncias químicas no subsolo profundo para romper as formações de xisto. David Hawkins, o diretor de programas climáticos do Conselho de Defesa de Recursos Naturais, disse que os reguladores podem fazer com que os perfuradores reduzam o vazamento de metano, mas, muitas vezes, é mais econômico para a indústria deixá-lo escapar.
Hawkins também disse que se conhece muito pouco sobre o volume de metano que está sendo efetivamente perdido, e estudos como o de Howarth se baseiam em um conjunto de dados muito reduzido para ser considerado a palavra final.
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São Paulo, domingo, 22 de maio de 2011

Mercado Aberto
Galvão Energia investe R$ 400 milhões em eólica
 
MARIA CRISTINA FRIAS

A Galvão Energia fechou contratos de fornecimento de 47 equipamentos de energia eólica com a Vestas Wind Systems Brasil, ligada à empresa dinamarquesa.
"O valor total é de R$ 400 milhões, entre equipamentos e manutenção", diz Otávio Silveira, presidente da Galvão Energia. O contrato foi financiado pelo BNDES e 60% dos geradores contratados terão conteúdo nacional.
Os equipamentos, com 2 megawatts cada um, o que totaliza 94 megawatts de energia contratada, irão para São Bento do Norte, no Rio Grande do Norte.
"Já havíamos contratado 40 equipamentos e agora teremos mais sete", conta.
A Vestas também ficará responsável pela operação e pela manutenção por dez anos. Por contrato, a empresa se compromete a oferecer equipamentos que gerem energia em 97% do tempo.
"Só estarão parados durante 3% do tempo, quando estiverem em manutenção", afirma Silveira.
Os geradores adquiridos entrarão em funcionamento em setembro de 2013, e não mais em janeiro daquele ano.
A Aneel oficializou na sexta-feira o adiamento do início das operações para setembro de 2013, de modo a possibilitar adaptações na rede. Houve acúmulo de parques no Estado, onde há pouca capacidade de transmissão.
"Se o atraso afeta o resultado? Afeta, mas foi a solução possível. Melhor do que deixar equipamentos sem gerar energia. Eles estragam como carro parado."

Amondawa, os índios sem ideia de tempo

Uma coisa, a meu ver, triste nesta notícia é que são estrangeiros que vêm aqui para conduzir estas pesquisas.


http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2011/05/23/tribotempo2.jpg
São Paulo, segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pesquisa revela índios sem ideia de tempo

LUCIANA DYNIEWICZ
DE SÃO PAULO

Os índios da tribo amondawa, de Rondônia, vivem sem usar referências sobre semanas, meses ou anos. Não fazem aniversário, só fazem contas até o número quatro e em seu vocabulário não consta a palavra "tempo".
Uma pesquisa da Universidade de Portsmouth (Inglaterra), em parceria com a Universidade Federal de Rondônia, revela que, diante da ausência de números e da noção abstrata de tempo, esses índios precisam mudar de nome para identificar melhor a fase que estão vivendo.
Por causa disso, várias crianças da tribo são chamadas exatamente da mesma forma. Um menino do clã Mutum, por exemplo, é conhecido por Mbitete ao nascer.
Quando tiver um irmão, passará a usar o nome de Kuembu ""e o próximo recém-nascido será batizado de Mbitete novamente.
Os nomes identificam o sexo, a "idade" e o clã ao qual a pessoa pertence e são herdados dos mais velhos pelos mais novos da tribo. Assim como quando ficam mais velhos, esses índios também trocam de nome quando se casam.
Embora a pesquisa não tenha identificado no idioma ocorrências de intervalos de tempo designados por números (um ano, por exemplo), foram encontradas palavras para expressar períodos de tempo, como as estações chuvosa e seca.
Suas noções de temporalidade também estão sempre ligadas a um evento ou a um ciclo da vida, e não ao tempo propriamente dito, segundo a autora Wany Sampaio, da Federal de Rondônia.

TEMPO E ESPAÇO
Para a corrente dominante hoje em dia na linguística, o léxico do tempo originou-se do vocabulário relacionado ao espaço.
Daí, surgiu o uso de expressões consideradas universais como "um tempo atrás" ou "mais para frente".
Nesse contexto, os amondawa são uma exceção, segundo os pesquisadores, porque não relacionam os conceitos de tempo e espaço, como costuma ocorrer em outros idiomas.
Entretanto, apesar de não terem uma palavra para designar "tempo" e não poderem dizer frases como "o tempo está passando", os amondawa têm sua própria noção de temporalidade e compreendem a nossa quando aprendem português, segundo mostra a pesquisa. A maioria fala amondawa e português. Vivem no centro-oeste de Rondônia e seu primeiro contato com não índios aconteceu em 1986. Hoje, a tribo inteira é composta por 117 pessoas.
O trabalho sobre os amondawa foi publicado recentemente na revista britânica "Language and Cognition".

Os prepotentes

Para quem desconhece o episódio do gravador citado por Paloma, ela está se referindo a Roberto Requião, do PMDB do Paraná 

 http://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/2011/2011/04/28/span38span-senador-requiao-pmdb-pr-arranca-gravador-da-mao-de-reporter-no-senado.jhtm




http://claudiawas.blogspot.com/2011/04/odeio-prepotencia-por-paloma-jorge.html?spref=fb


quinta-feira, 28 de abril de 2011

ODEIO PREPOTÊNCIA

 

Por Paloma Jorge Amado 

 

Encontrei este texto no facebook da Paloma. Solicitei sua autorização para publicar. Respeitando seu pedido o publico na íntegra e sem citar nomes. Estou emocionada com a forma generosa, gentil, educada e carinhosa que fui tratada por ela.


Era 1998, estavamos em Paris, papai já bem doente, participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz. De repente, uma imensa crise de saude se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o aviao da Varig (que saudades) para Salvador.
Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas. Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe. Em seguida chegou um casal que eu logo reconheci, era um politico do Sul (nao lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois, que fica dificil lembrar). A mulher parecia uma arvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim). É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo. Me armei de paciência e respondi: Sim, senhora, eu sei. Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas nao disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos. Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais.
Pouco depois bateram à porta, era o casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a putaquepariu, apesar de desejar fazê-lo, educadamente disse não. Hoje, quando vi na tv o Senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, eteceteraetal, fiquei muito retada, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada...

Paloma Jorge Amado é psicóloga.
Define a sua preferência política desta forma. "Sou livre pensadora. Odeio tudo que é contra o povo, reacionário, retrógrado, preconceituoso. Se tivesse que escolher uma ala, escolheria a das Baianas."

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http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/22/sou-ari-pargendler-presidente-do-stj-voce-esta-demitido-334576.asp


22.10.2010
 

'Sou Ari Pargendler, presidente do STJ. Você está demitido'

 

 



A frase acima revela parte da humilhação vivida por um estagiário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após um momento de fúria do presidente da Corte, Ari Pargendler (na foto).
O episódio foi registrado na 5a delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal às 21h05 de ontem, quinta-feira (20). O boletim de ocorrência (BO) que tem como motivo “injúria real”, recebeu o número 5019/10. Ele é assinado pelo delegado Laércio Rossetto.
O blog procurou o presidente do STJ, mas foi informado pela assessoria do Tribunal que ele estava no Rio Grande do Sul e que não seria possível entrevistá-lo por telefone.
O autor do BO e alvo da demissão: Marco Paulo dos Santos, 24 anos, até então estagiário do curso de administração na Coordenadoria de Pagamento do STJ.
O motivo da demissão?
Marco estava imediatamente atrás do presidente do Tribunal no momento em que o ministro usava um caixa rápido, localizado no interior da Corte.
A explosão do presidente do STJ ocorreu na tarde da última terça-feira (19) quando fazia uma transação em uma das máquinas do Banco do Brasil.
No mesmo momento, Marco se encaminhou a outro caixa - próximo de Pargendler - para depositar um cheque de uma colega de trabalho.
Ao ver uma mensagem de erro na tela da máquina, o estagiário foi informado por um funcionário da agência, que o único caixa disponível para depósito era exatamente o que o ministro estava usando.
Segundo Marco, ele deslocou-se até a linha marcada no chão, atrás do ministro, local indicado para o próximo cliente.
Incomodado com a proximidade de Marco, Pargendler teria disparado: “Você quer sair daqui porque estou fazendo uma transação pessoal."
Marco: “Mas estou atrás da linha de espera”.
O ministro: “Sai daqui. Vai fazer o que você tem quer fazer em outro lugar”.
Marco tentou explicar ao ministro que o único caixa para depósito disponível era aquele e que por isso aguardaria no local.
Diante da resposta, Pargendler perdeu a calma e disse: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, está fora daqui”.
Até o anúncio do ministro, Marco diz que não sabia quem ele era.



Fabiane Cadete, estudante do nono semestre de Direito do Instituto de Educação Superior de Brasília, uma das testemunhas citadas no boletim de ocorrência, confirmou ao blog o que Marco disse ter ouvido do ministro.
“Ele [Ari Pargendler] ficou olhando para o lado e para o outro e começou a gritar com o rapaz.  Avançou sobre ele e puxou várias vezes o crachá que ele carregava no pescoço. E disse: "Você já era! Você já era! Você já era!”, conta Fabiane.
“Fiquei horrorizada. Foi uma violência gratuita”, acrescentou.
Segundo Fabiane, no momento em que o ministro partiu para cima de Marco disposto a arrancar seu crachá, ele não reagiu. “O menino ficou parado, não teve reação nenhuma”.
De acordo com colegas de trabalho de Marco, apenas uma hora depois do episódio, a carta de dispensa estava em cima da mesa do chefe do setor onde ele trabalhava.
Demitido, Marco ainda foi informado por funcionários da Seção de Movimentação de Pessoas do Tribunal, responsável pela contratação de estagiários, para ficar tranqüilo porque “nada constaria a respeito do ocorrido nos registros funcionais”.
O delegado Laercio Rossetto disse ao blog que o caso será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) porque a Polícia Civil não tem “competência legal” para investigar ocorrências que envolvam ministros sujeitos a foro privilegiado."
Pargendler é presidente do STJ desde o último dia três de agosto. Tem 63 anos, é gaúcho de Passo Fundo e integra o tribunal desde 1995. Foi também ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

Prontuário médico de Dilma foi vazado no Hospital Sírio-Libanês

O vazamento e/ou publicação do prontuário médico de qualquer pessoa são crimes.
Quem comete um crime é o que?

Mas, é apenas mais um na longa lista dos cometidos pelas organizações Globo





O Hospital Sírio-Libanês



http://www.viomundo.com.br/denuncias/prontuario-medico-de-dilma-foi-vazado-no-hospital-sirio-libanes.html
 
30 de maio de 2011
 

Prontuário médico de Dilma foi vazado no Hospital Sírio-Libanês


Por Conceição Lemes


Na última quinta-feira, 26 de abril, recebi um e-mail de Gerson Carneiro, leitor do Viomundo, com o assunto Aves de mau agouro. Perguntava se eu tinha alguma notícia sobre o estado de saúde da presidenta Dilma Rousseff.
Nascido em Irecê, sertão da Bahia, criado em Senhor do Bonfim e morando em Salvador desde a adolescência, Gerson é muito brincalhão. Seu perfil no twitter diz tudo: No meu velório não quero ouvir nenhum choro; quero ouvir muitas piadas. Se você é chorão(ona) e/ou não sabe contar piadas, favor não ir.
Mas ele estava preocupadíssimo. Dois amigos disseram-lhe que Dilma estava gravemente enferma. Os detalhes me fizeram relembrar a sordidez das mentiras espalhadas durante as eleições de 2010.
“Não acho que seja verdade”, respondi-lhe. “São os urubus de plantão, mas vou checar.”
Liguei para o deputado federal paulista Paulo Teixeira, líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, que, por coincidência, havia estado com a presidenta no dia anterior.
“A Dilma teve pneumonia nos dois pulmões, mas já sarou. Inicialmente achou que era apenas gripe, não deu muita atenção. Só que a situação complicou”, conta a esta repórter o que ouviu da presidenta. “Se tivesse alguma doença grave, a Dilma seria a primeira a falar. Lembra-se da transparência no trato do linfoma, em 2009?
No sábado, porém, “ao visitar” o Tijolaço, a casa digital do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), descobri uma das possíveis origens dos boatos que circularam pela internet na semana passada. Encarnando o próprio o urubu da semana, a revista Época chegou às bancas com a ficha médica completa da presidenta. No caminho da Dilma há sempre uma ficha! Assinam a reportagem: Cristiane Segatto, Isabel Clemente e Leandro Loyola. Atente bem à foto e à chamada de capa.

A Época quer matar a Dilma”, denunciou Brizola Neto já no título do seu artigo do sábado. “Essa é a ‘ética’ dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades. Esses é que pretendem ser os ‘ fiscais do poder’. Que imundície!”
Realmente, a foto da capa (Dilma com os olhos fechados como se estivesse morta, num caixão) combinada à chamada (seu estado ainda exige cuidados) induzem, de pronto, a se temer o pior: o câncer voltou. Fim de linha. Mas depois lendo, felizmente, não é nada disso.
O relatório médico, feito pela equipe do Sírio-Libanês que cuida de Dilma e tornado público pela Presidência em resposta à reportagem de Época, é enfático:ótimo estado de saúde”.
A Época, porém, elenca uma porção de problemas, fazendo passar a ideia de que Dilma seria um poço de doenças. Só que do ponto de vista estritamente de saúde a reportagem não disse a que veio, é uma não-matéria. Um equívoco.
Explico. No passado, saúde era sinônimo de ausência de doença. Porém, com a crescente longevidade da população essa noção foi derrubada. Visões mais amplas a substituíram. A mais clássica é a da Organização Mundial de Saúde (OMS): saúde é o bem-estar físico, psíquico e social.
Logo, ter saúde não depende simplesmente da presença ou da inexistência de doenças. É normal ter algumas delas com o avançar da idade. Em geral, parte-se – atenção! – de uma a duas, na faixa dos 20 a 30 anos, para cinco ou seis, aos 80 ou 90.
Em outras palavras: pode-se estar na faixa dos 60 anos, como a presidenta, ter diversas doenças, mantê-las sob controle e ser saudável. Em compensação, um jovem – em tese, saudável – pode ser doente. É o caso daquele que atravessa dez faróis vermelhos seguidos; ele pode não estar bem mentalmente e, por isso, talvez morra ou mate alguém.
E a lista de 28 remédios, os mal-estares e os resultados de exames?
Qual a novidade? Nenhuma. Deu até vontade de rir, pois a Época se levou a sério. Esqueceu-se do básico: Dilma é ser humano, em carne e osso, como qualquer um de nós. Ponto. Tem dor de barriga, de cabeça, nas costas, tosse, espirra, chora, ri, sofre, fica triste, alegre. A Presidência da República não imuniza ninguém.
Aliás, para fazer a malfadada reportagem, Época não precisava recorrer a métodos não ortodoxos para saber que a glicemia subiu quando Dilma teve pneumonia e parou com o remédio para diabetes. Mesmo que não tivesse diabetes, a glicemia dela teria subido. Normalmente infecções aumentam as taxas de “açúcar” no sangue.
E as dores no estômago, náuseas e aftas? Quem já tomou antibióticos sabe que esses efeitos adversos podem ocorrer. E para aliviar as aftas, por exemplo, a gente usa o que tem à mão na hora, inclusive bicarbonato de sódio. Eu garanto: funciona.
“Mas e a tiroidite de Hashimoto?”, alguns talvez questionem. “A presidenta tem hipotiroidismo!.”
Ela e mais cerca de 3 milhões de brasileiros, e a tiroidite de Hashimoto é a causa principal. Trata-se de uma doença auto-imune que acomete mais o sexo feminino — principalmente após os 40 anos: o sistema imunológico não reconhece a tiroide como parte do corpo e a ataca, inflamando-a ou destruindo-a progressivamente. O tratamento consiste em tomar diariamente comprimidos de levotiroxina.
Então por que publicar tal matéria se Dilma sempre foi tão transparente em relação aos seus diagnósticos e tratamentos e nunca impediu os seus médicos de passar informação à mídia sobre a sua saúde? Será que esperavam encontrar uma bomba e como acharam apenas traques, tocaram assim mesmo? Por que levaram adiante dando ares fúnebres, para males comuns na população e que podem ser perfeitamente controlados hoje em dia, mantendo a pessoa saudável?
Considerando que do ponto de vista de saúde a matéria não beneficia o leitor, só tenho estas explicações. Má fé. Mau jornalismo. O objetivo é claramente político. Fragilizar a presidenta. Jogá-la na corda. Machucá-la.
Esse é um lado dessa sujeira, que só pode se materializar porque houve o vazamento do prontuário da paciente Dilma Rousseff, via Hospital Sírio-Libanês. Um sem a cumplicidade do outro não teria sido possível a reportagem. Não sei como nem quem passou as informações. Se foi por  São Paulo, onde fica a sede da Época e do hospital. Ou se via Brasília, onde a revista tem sucursal e o Sírio-Libanês, uma unidade.  Em quase 30 anos como repórter na área de saúde, nunca tinha visto um vazamento de prontuário tão rico em detalhes. Não foi uma mera dica, passada em  conversa ligeira de corredor ou de telefone. Mas a ficha completa com todos os exames feitos, dias, horários,  resultados, remédios envolvidos.
No domingo, pela manhã, liguei para a assessoria de imprensa do Sírio-Libanês e perguntei o que o hospital tinha a dizer sobre o vazamento do prontuário da ilustre paciente. Resposta repetida várias vezes: O hospital não vazou nada, o hospital não divulgou nada, as informações foram passadas à presidência da República. É a informação que estamos dando aos jornalistas que estão nos ligando.
Não convencida,  mesmo sendo domingo, liguei de novo à tarde. A resposta foi semelhante. Mandei ainda, às 16h, e-mail com cópia para três membros da equipe da assessoria de imprensa, questionando o vazamento do prontuário médico da presidenta. Até agora, quase 27 horas depois, não recebi a resposta.
O fato é que fora a via judicial, que não é o caso, legalmente só podem ter acesso à ficha médica completa de Dilma ela própria, seu representante legal, os seus médicos e equipe e o Sírio-Libanês, já que o prontuário fica sob a guarda do hospital.
Dilma, obviamente, não passaria as informações com tantos dados técnicos. Vale lembrar que, atendendo à solicitação de Época, ela enviou à revista um relatório sobre o seu estado de saúde feito pelos médicos do Sírio-Libanês. A revista utilizou as frases “ótimo estado de saúde” e “A Presidenta Dilma continua em remissão completa do linfoma, e não há nenhuma evidência de deficiências imunológicas, associadas ou não ao tratamento do linfoma realizado em 2009″,  ignorando o restante. Depois, em resposta à reportagem de Época, a Presidência tornou público o relatório encaminhado anteriormente à revista (está no mesmo post do Brizola Neto, logo abaixo do seu artigo).
Acredito que os médicos que assistem Dilma no Sírio-Libanês também não vazariam o prontuário. As equipes que cuidam da presidenta são coordenadas por Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Yana Novis, David Uip, Raul Cutait, Carlos Carvalho, Milberto Scaff e Julio Cesar Marino. Suponho que não fariam isso ainda os doutores Antonio Carlos Onofre de Lira e Paulo Ayrosa Galvão, respectivamente, diretor-técnico e diretor-clínico do Sírio Libanês.
Sobra o hospital enquanto instituição, afinal o prontuário médico fica sob sua guarda e não saiu voando para os braços da Época. Alguém o acessou e passou para Época. Informação é moeda de troca. O “serviço” pode ter sido feito até por um médico para cair nas graças do jornalista e, depois, no futuro, ser recompensado com espaço na publicação. Nesses anos cobrindo saúde já ouvi quase tudo. Desde médico relatando a colegas a doença x ou y de paciente famoso às supostas puladas de cerca do dito cujo.
“Na verdade, o sistema de proteção aos dados dos pacientes nos grandes hospitais e laboratórios ainda é muito frágil”, alerta o pediatra Marcelo Silber, médico credenciado do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, em São Paulo. “Com a minha senha de médico, posso acessar a ficha completa de qualquer paciente, famoso ou não. Logo, alguém de má fé pode fazê-lo e passá-lo adiante, conforme o seu interesse. Por exemplo, imprensa, convênios, seguro-saúde.”
Está escrito no Código de Ética Médica, do Conselho Federal de Medicina: É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente.
Ou seja,  alguém se prestou a fazer o serviço sujo no caso de Dilma. Se foi  médico ou outro membro da equipe do hospital –  enfermeira, nutricionista, psicólogo, secretária, técnico em informática ou seja lá quem for –, diria aos colegas de Época que esse profissional não é digno de confiança. Se foi um médico, abram olho. Médico bom não é só técnico competente; tem que ser eticamente humano.
A quebra de confidencialidade das informações de qualquer  paciente é algo muito grave. Diria criminoso. Dilma foi enganada. Traída. Teve as suas informações de saúde violadas. Espero que o Hospital Sírio-Libanês descubra como, quando, onde e quem acessou indevidamente o seu prontuário e passou adiante. Também se houve um mandante. Não por  ser a presidenta, mas porque todo paciente merece respeito e solidariedade. Na semana passada a vítima foi a Dilma, na próxima, pode ser você, o Azenha, eu.
O nosso compromisso de jornalistas é com a informação ética. O do médico é única e exclusivamente com o seu paciente, famoso ou anônimo. Hospital não é palco, doença não é espetáculo midiático nem paciente, escada. Esse show tem que parar.

Nuvens negras no horizonte

Economy

Segunda-Feira, 30 de Maio de 2011

Nuvens negras no horizonte


Amir Khair 

Ainda não se passaram três anos e já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. São as situações críticas das questões fiscais dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA.

Vale recordar. Na primeira tentativa de sair do buraco, a Grécia acertou com o FMI que sua economia deveria encolher 4% em 2010, 2,6% em 2011 e o desemprego, de 9,4% em 2009, subiria para 14,8% em 2012. Esse o custo da redução do déficit fiscal de 13,6% do PIB em 2009, para 8,1% em 2010 e 6,5% em 2012. Mesmo assim, sua dívida se estabilizaria em 150% do PIB! Mas em 2010 em vez de conseguir a meta de déficit de 8,1%, obteve 10,5%, o que acendeu a luz vermelha.

Os holofotes agora estão na questão fiscal da Grécia, que precisará de um novo empréstimo em 2012. Com um crescimento mais baixo que o esperado, a tendência é o agravamento fiscal e a necessidade de mais empréstimos que, se vierem, trarão sérias dificuldades de satisfazer as condições impostas pelo FMI, com impacto social crescente e sério risco político ao governo.

A aposta dos “salvadores” (Banco Central Europeu - BCE, países da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional - FMI) ao concederem o primeiro socorro era de que uma profunda restrição fiscal, com rebaixamento de salários, demissões no setor público e freada no crescimento econômico, seria capaz de gerar os excedentes para honrar as parcelas dos empréstimos, que tiveram prazos mais alongados.

Esse aperto fiscal deveria ser imposto à população e as reações foram imediatas com paralisações e manifestações de massa, que na ocasião poderia inviabilizar as negociações em curso. Mas o governo grego conseguiu vencer o primeiro round e aprovou as duras exigências dos financiadores, mas com importante condição: a dívida teria que ser integralmente paga, sem nenhum prejuízo aos credores.

Esse socorro financeiro implica em dois problemas fiscais, de solução quase impossível, pois crescem as despesas com o serviço da dívida pelo forte aumento do endividamento e cai a arrecadação pela redução da atividade econômica e pelo aumento da inadimplência dos contribuintes, ou seja, forma-se um “sanduíche” fiscal.

Os credores, no entanto, partiram da premissa de que a redução das despesas públicas seria suficiente para superar esses dois problemas. Não foi o que aconteceu e nem acontecerá. Assim, seria necessário reduzir o valor a ser pago no serviço da dívida, ou seja, seu deságio, com perda para os credores.

Mas, o deságio não bastaria para solucionar o problema, pois os desequilíbrios macroeconômicos já existentes tornam necessários outros esforços para viabilizar o equilíbrio de suas contas internas e externas. Atualmente ocorre déficit na balança comercial de 4% do PIB, maior déficit comercial entre os países da região do euro. Se esse déficit persistir, terá de captar o volume total em instituições de crédito estrangeiras, mesmo se os déficits orçamentários pós-inadimplência puderem ser financiados com captações domésticas.

A simples ameaça do deságio na Grécia precipitou a elevação dos riscos das dívidas de Portugal e Espanha. Portugal foi o primeiro a pedir socorro e já está seguindo o mesmo caminho grego. Tomou em maio recursos do FMI e da União Europeia de US$ 110 bilhões, que representa 47% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O último pacote de auxílio do FMI ao Brasil, em 1998 foi de US$ 40 bilhões ou 4,7% do PIB. Assim, esse socorro a Portugal foi, em termos de tamanho de sua economia, 10 vezes maior do que o nosso.

Para situar a gravidade do problema que ronda a Europa, o pacote da Grécia de US$ 156 bilhões foi também de 47% do PIB e o da Irlanda de US$ 120 bilhões, 52,9% do PIB, segundo matéria publicada no jornal Estado de São Paulo (22/maio).

Esses socorros foram também sem deságio nas dívidas e será apenas questão de tempo para evidenciar a falta de visão dos “salvadores” e o agravamento da inevitável deterioração fiscal nesses países.

Não tem como escapar do deságio das dívidas. Esse deságio, por sua vez, poderá trazer novos desdobramentos na rede financeira europeia já fragilizada pela crise iniciada nos Estados Unidos com as hipotecas de alto risco (subprime) e por a nu os títulos podres em posse do BCE ao socorrer o sistema bancário da Irlanda, Grécia, Espanha entre outros países.

A nova tentativa de socorro à Grécia continuará tentando preservar os credores, alongando mais a dívida, sem reestruturá-la, com nova injeção de empréstimos, e o calote será inevitável e maior mais a frente. É uma exigência do BCE para tentar empurrar com a barriga os títulos podres em seu poder cujo montante é desconhecido.

O mesmo poderá ocorrer com Portugal, mais à frente à Espanha e, em seguida a Itália, países de maior expressão econômica na zona do euro. Poderá ser essa a sequência dos PIIGS. É claro que isso atingirá o sistema bancário das economias mais sólidas como França e Alemanha, agravando a crise européia com repercussões em outros países fora da área. Como existe forte relação entre os sistemas financeiros de Europa e Estados Unidos, esse país certamente será afetado.
EUA - Em 16/5, os Estados Unidos atingiram o teto de US$ 14,294 trilhões da dívida pública e o Departamento do Tesouro planeja anunciar que vai parar de emitir e reinvestir títulos do governo em certos fundos de pensão públicos, parte de uma série de medidas para adiar a moratória até 2/8. Essas medidas do Tesouro visam ganhar tempo para a Casa Branca e líderes do Congresso chegarem a um acordo de redução do déficit, para atingir número suficiente de congressistas a votar o aumento da dívida.

A disputa política entre republicanos e democratas pode fornecer o combustível necessário para começar a por em dúvida a capacidade do país honrar o pagamento aos credores, que estão espalhados por todo o mundo, especialmente países que acumularam fortes reservas ligadas ao dólar, como China, Japão, Alemanha e o Brasil. Para agravar esse quadro o déficit fiscal previsto ao final deste ano pode atingir US$ 1,7 trilhões ou 11% do Produto Nacional Bruto (PNB).

A tentativa de ativar a economia via elevação da liquidez é outro motivo de preocupação. De 2004 a 2008 a base monetária girava em torno de US$ 0,8 trilhão e a disparada sem cessar a partir de 2009 a elevou para US$ 2,4 trilhões. Apesar disso, os empréstimos bancários ficaram estabilizados desde o final de 2008 em US$ 9 trilhões, evidenciando o deslocamento dessa elevação da liquidez para fora dos EUA.

É possível que as agências de classificação de risco, que dormiram no ponto na crise de 2008/2009, não tenham o mesmo comportamento agora. Alguns sinais já apontam nessa direção. O primeiro foi dado pela Standard & Poor's que rebaixou de ‘estável’ para ‘negativa’ a perspectiva de rating de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos. Com isso sinalizou que poderá piorar a nota da dívida americana. As razões apontadas para a decisão foram o persistente déficit orçamentário e o elevado endividamento do país.

De acordo com a agência, mesmo após dois anos após a eclosão da crise financeira que abalou o mercado de hipotecas dos EUA, o governo do presidente Barack Obama dá sinais de que não chegou num acordo sobre como reverter a deterioração fiscal por que passa o país atualmente, nem aponta soluções para as pressões fiscais de longo prazo.

O dólar já vem de longo processo de perda de valor perante outras moedas e commodities, e isso expressa a doença que se abate lentamente sobre a economia americana. As análises sobre as perspectivas deste país oscilam a cada dia ao sabor de dados sobre pedidos de desemprego, construção de novas moradias, produção industrial, inflação, etc. Fato é que a reação aos fortes estímulos dados desde 2008 produziram efeitos pífios e os déficits fiscais passaram de 3% do PNB em 2008 e poderão atingir 11% neste ano, e a dívida sobe de forma ameaçadora, indicando claros riscos em seu pagamento.

Para agravar esse quadro a elevação dos preços do petróleo e outras commodities subtraem o poder aquisitivo dos americanos, com reflexos negativos sobre o consumo que representa 70% do PIB do país. Isso afeta o crescimento econômico, a arrecadação e eleva o déficit fiscal.

Parecem esgotados os instrumentos monetários para tirar o país da crise. A forte injeção de dólares feita pelo Fed (banco central americano) e os juros negativos não conseguiram estimular o consumo. É incerto se terminará em junho a escalada da injeção de US$ 600 bilhões. Essa elevação da liquidez já dá sinais de problemas com a inflação, que começam a aparecer no front de preocupações do Fed. E nada mais potente para retirar o poder aquisitivo do americano do que a inflação.

A forma que seria possível para romper com esse agravamento é a ampliação das exportações e contenção das importações, para gerar empregos suficientes para tirar da letargia o mercado interno. Mas não é isso que vem ocorrendo no nível necessário, pois a disputa no mercado internacional cresceu fortemente como consequência da crise de 2008.

Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora.